O Governo Federal propôs nesta sexta-feira (17) reajuste de 15,8%, a ser pago até 2015, a 18 setores do serviço público federal, enquadrados no Plano Geral de Cargos do Poder Executivo e nas carreiras da Previdência, Saúde e Trabalho.

A informação é da Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), que representou os servidores em reunião, nesta sexta, com o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça. A proposta foi considerada insatisfatória, mas os líderes sindicais aceitaram debater ajustes na oferta. Uma nova rodada de negociações foi agendada para o próximo sábado (18), às 14h.

A proposta feita à Condsef é idêntica às já apresentadas aos técnicos administrativos das universidades federais e aos peritos e delegados da Polícia Federal. Segundo o secretário-geral da entidade, Josemilton Costa, a oferta não atende à pauta de reivindicações dos 18 setores, que reúnem 500 mil trabalhadores do serviço público federal.

Os servidores pleiteavam equiparação com as carreiras contempladas pela Lei 12.277 – que trata dos rendimentos de engenheiros, arquitetos, economistas e geólogos dentro do funcionalismo. De acordo com Costa, a justificava do governo para não conceder a equalização são as restrições orçamentárias no momento de crise econômica.

Leia também:  Carro com mais de 245 mil multas é apreendido pela PRF do Paraná

Costa diz que, apesar da insatisfação com o percentual, foi alcançado um consenso no sentido de incorporar o reajuste aos vencimentos básicos das carreiras, e não às gratificações. Os sindicalistas também querem uma proposta que contemple separadamente servidores de nível superior, técnicos administrativos e auxiliares – em lugar de um aumento linear, como foi proposto.

“Essa reunião pelo menos apontou um caminho. A nossa área técnica vai se reunir com os técnicos deles [do Ministério do Planejamento] para buscar uma proposta que fortaleça o vencimento básico. Vamos buscar o menos pior para os trabalhadores”.

As categorias representadas na reunião desta sexta-feira estão em greve desde o dia 18 de junho. Segundo Costa, elas detêm os salários mais baixos do funcionalismo público.

“Quando essa lei [12.277] aumentou os salários de engenheiros, arquitetos e geólogos de R$ 5,9 mil para R$ 10,2 mil criou um fosso de 78% com relação às demais carreiras. Estamos negociando a equiparação desde 2010”.

O secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, tem reuniões marcadas com entidades e sindicatos que representam os servidores públicos até a noite desta sexta, além de encontros agendados para sábado.

Justiça Federal
Servidores     110 mil
Em greve     cerca de 50% (SP, DF, MT, RS, BA, SC)
Salário médio de agente  auxiliar (R$ 2.878), técnico (R$ 5.176,50) e analista (R$ 8.493,50)
Reivindicações: revisão do plano de cargos e salários e reajuste de 33% no salário

Leia também:  Decreto que buscava aniquilar reserva na Amazônia é suspenso pela Justiça Federal

Polícia Federal
Servidores     9.000
Em greve     7.000
Salário médio de agente     R$ 9.700,00
Salário médio de delegado     R$ 16.500,00
Reivindicações: reestruturação de carreira com equiparação salarial aos demais cargos de nível superior do Executivo, como auditor da Receita Federal e AGU (Advogacia-Geral da União), que terminam as carreiras com salário médio de R$ 16 mil.

Polícia Rodoviária Federal
Servidores     9.100
Em greve     Apenas os agentes do Piauí não aderiram ao movimento.
Salário médio     R$ 6.800,00
Reivindicações: reestruturação salarial e da carreira, realização de novos concursos, aumento do efetivo, reconhecimento do nível superior, além do aumento dos auxílios alimentação, saúde, creche e transporte.

Professores de Universidades Federais
Servidores     Cerca de 68 mil (56 das 59 universidades estão paradas)
Em greve     Não divulgado
Salário médio     R$ 8.601,00
Reivindicações: reestruturação da carreira docente, melhoria nas condições de trabalho e reajuste salarial de 22%.

Leia também:  Com confrontos diários ministro da Defesa libera 700 homens para policiamento na Rocinha

Funcionários de universidades federais
Servidores     182 mil
Em greve     Somente 30% cumpre expediente realizando serviços essenciais.
Salário médio     R$ 1.034,59
Reivindicações: reajuste salarial de 25% e aumento do piso de 22,8%.

Servidores da Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social
Servidores     230 mil
Em greve     70 mil
Salário médio     R$ 2.700,00
Reinvindicações: equiparação salarial com o INSS, que tem piso de R$ 6 mil, plano de carreira e aumento no ticket alimentação. A categoria também reivindica jornada de trabalho de 30h e abertura de concursos para novos servidores.

Analistas da Receita Federal
Servidores     7,5 mil
Em greve     Somente 30% estão prestando serviços essenciais.
Salário médio     R$ 7.996,00
Reivindicações: aumento salarial de 30% para 2013 e 25% para 2014 e 2015.

Auditores da Receita Federal
Servidores     11,5 mil
Em greve     Entre 80% e 90% aderiram a movimento grevista.
Salário médio     R$ 16.525,00
Reivindicações: reajuste salarial e recomposição da inflação de 30,19%

Servidores do INSS
Servidores     36,1 mil
Em greve     Não divulgado
Salário médio     R$ 4.500,00
Reivindicações: reajuste salarial, jornada de trabalho de 30 horas semanais
e contratação de novos servidores

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.