A gestão de Ana de Holanda foi marcada por uma postura totalmente contrária a gestão dos ex-ministros Juca Ferreira e Gilberto Gil que implementaram diversos programas pelo Ministério da Cultura – MinC onde a cultura era entendida na sua dimensão antropológica e não somente das belas artes ou dos aparelhos de cultura.

Desde que Ana de Holanda se estabeleceu como ministra esperava-se uma perspectiva de continuação de trabalho das conquista que a cadeia produtiva de cultura conseguira através da consolidação do Plano Nacional de Cultura, Sistema Nacional de Cultura, Programa Cultura Viva e pontos de cultura, Reforma na Lei de Direitos Autorais e Cultura Digital.

Porém o que assistimos nesses 02 anos de gestão da ex-ministra foram à valorização dos modelos de produção de cultura baseados no Copyright e nas ditas economias criativas. Onde o diálogo entre o MinC e  classe cultural não foi dos mais fluidos, passando por períodos mais críticos no ano passado e melhorando um pouco em 2012, mas ainda assim pouco afinado.

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Agora graça a inabilidade da gestão Ana, o que encontramos a frente é a perspectiva de que mais uma vez teremos um pouco daquele fenômeno de começar tudo de novo; dois anos inteiros foram mais que perdidos, praticamente um retrocesso. E mais um tempo será consumido na criação ou recuperação de “novas” políticas públicas.

E esse anseio acaba se tornando mais evidente quando surge a nomeação da nova representante do MinC, a senadora Marta Suplicy (PT) em um processo de escolha  que indica o chamado fisiologismo político  (que garantiu a entrada da senadora na campanha eleitoral paulistana), sinal do “pouco caso” atávico que ocorre na Cultura.

Do ponto de vista programático, o que se espera da gestão Marta é a adoção de uma nova política de governos nas áreas do direito autoral e cultura digital (onde Ana de Hollanda era mais criticada) que garantam uma fusão equilibrada entre a linha adotada pelo Ministério da Cultura no governo Dilma (rotulada no mercado de “pró-Ecad”) e a linha pró-creative-commons e políticas de copy left das gestões do Gilberto Gil/Juca Ferreira.

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Outra perspectiva esperada é o fortalecimento do programa de governo CULTURA VIVA  e da retomada do fomento e discussão referente aos Pontos de Cultura, responsáveis por dar  grande visibilidade local ao MinC.

Tal prognóstico esperançoso é reforçado com a nota do Palácio do Planalto que confirmou Marta no ministério. A nota fala em dar prosseguimento às “políticas públicas e projetos (…) nos últimos anos”.

Todo esse tensionamento da cadeia produtiva para uma retomada ou ao menos um reconhecimento das políticas executadas na gestão Gil/Juca vem do receio que a nova gestão transforme o Ministério da Cultura em uma extensão do Ministério do Turismo visando os mega-eventos (principais são a Copa e as Olimpíadas) que estão por vir e focando ações da cultura como turismo, da economia criativa e com isso do copyright e formas fechadas de produção, circulação e consumo cultural.

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E a dúvida para qual desenho político se formará com a gestão de Marta Suplicy no MinC só poderá ser respondida dependendo da capacidade dos movimentos culturais de articular isso, neste momento é de crucial importância que a classe cultural se articule produzindo e debatendo suas próprias análises e se aproximem a da nova ministra para não deixar os novos rumos do MinC desandarem e consequentemente ficarmos à espera ou a reboque de outras iniciativas.

Vicente de Albuquerque Maranhão é  produtor cultural, videomaker, cineclubista

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