O treino começa com aquecimento, alongamento e depois os lutadores respeitosamente sentam ao redor do mestre para receber as instruções. As primeiras palavras proferidas em tom amigável conduzem os ouvintes por lições de vida, adquiridas ao longo dos 50 anos de jiu-jitsu. São dadas orientações sobre como um atleta deve se comportar dentro e fora da academia. Seguido por aulas de técnicas marciais até o ponto mais elevado, os embates no tatame.

Desta forma que os lutadores são preparados pelo mestre Francisco José Pessoa Fernandes, popularmente conhecido como “Chicão”, para o Campeonato Estadual de Jiu-Jitsu. O evento é organizado pela Federação Matogrossense de Jiu-Jitsu (FMTJJ) e será realizado no sábado (29) e domingo (30), no Palácio das Artes Marciais Iusso Sinohara.

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Francisco Fernandes, 57 anos, começou a praticar o jiu-jitsu aos 7 anos de idade na primeira academia da família Gracie, no Rio de Janeiro (RJ). O carioca nasceu em 1955 e junto da família migrou para Cuiabá (MT) em 1992. Casado e com três filhos montou no ano seguinte, na capital mato-grossense, a própria academia. Desde então, vive do esporte, para o esporte e atualmente é o presidente da FMTJJ.

Segundo João Mario Andrade, conhecido como “Chopão”, 23 anos, estudante de direito e faixa roxa, os oito anos que pratica jiu-jitsu sob as orientações do mestre Chicão permitiram conhecer os métodos utilizados pelo treinador para preparar atletas para os campeonatos.

“Os treinos para as competições são bem puxados até se aproximar da data do evento. Dai passam a ser mais leves para diminuir o risco do atleta sofrer alguma lesão. O Chicão tem o perfil de treinador paizão. Aquele que se torna amigo e passa a instruir para todas as lutas da vida.”, explica João Mario.

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De acordo com a filha caçula, Luzia Fernandes, 26 anos, quatro vezes campeã mundial de jiu-jitsu e dezesseis vezes campeã brasileira, vir de família de lutadores possui vantagens e desvantagens. Os dois irmãos mais velhos, Francisco Fernandes Junior, 30 anos, e Flávia Fernandes, 36 anos, também são faixa preta.

“Falar sobre isso é complicado. Fazer parte de uma família de lutadores se torna um pouco desgastante, pois quando termina o treino na academia e você quer ir para casa descansar, o pai e irmãos continuam lá a falar e instruir sobre jiu-jitsu. Por outro lado, se você está decidido por esse caminho terá todo o apoio necessário. O Chicão como treinador é muito simples, prático e disciplinador. Ensina com aquele perfil de paizão que só quer ver todos os seus atletas felizes e vencendo.”, afirma Luzia.

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