Um subtenente da Polícia Militar do Rio de Janeiro é o principal suspeito de ter desviado o dinheiro do assalto a um restaurante na Tijuca, na zona norte da cidade, em agosto. Ronaldo César Neves, que atua há 20 anos na PM, foi flagrado por um cinegrafista amador recolhendo a mochila de um dos criminosos, baleado após confronto com a polícia na porta do restaurante.
Em depoimento, o policial confirmou ter pego a bolsa, mas alegou que no lugar dos R$ 18 mil roubados no assalto havia apenas papel na mochila. A versão contraria as imagens das câmeras de segurança do restaurante, que mostram o assaltante identificado como Antonio Barbosa Rodrigues colocando dinheiro na mochila. A versão foi apresentada em depoimento do Inquérito Policial Militar (IPM) que apura a conduta do subtenente e de outros dois policiais que o acompanhavam na ação. Os três podem ser expulsos da corporação.
Segundo Neves, além dos papéis havia na mochila uma arma, que foi entregue à Polícia Civil. A bolsa, que ainda não foi encontrada, teria sido deixada em uma árvore próxima ao local do crime. O caso está sendo investigado também pela Polícia Civil, que tenta esclarecer o destino do dinheiro. No total, foram R$ 15 mil em espécie e R$ 3 mil em vale refeição. No dia 13 de agosto, sete bandidos invadiram o restaurante, renderam os funcionários e levaram o dinheiro dos caixas. Na saída, houve troca de tiros com a polícia. Três assaltantes morreram e dois foram presos. Os dois fugitivos já foram identificados e a polícia não descarta a hipótese de que eles tenham ficado com o dinheiro.
“Esta possibilidade é remota. As imagens do circuito de câmeras e declarações de testemunhas indicam que o bandido colocou o dinheiro na bolsa”, afirmou o delegado responsável pelo caso Orlando Zaccone. “A competência para julgar a conduta dos policiais é da PM, mas posso apontar os indícios de responsabilidade no inquérito, Isso faz parte da investigação do assalto”, completou.
Até o fim desta semana o subtenente prestará novo depoimento à Polícia Civil. De acordo com a PM, o sargento suspeito de desviar o dinheiro tinha 20 anos de atuação e seu comportamento foi classificado como bom pelo comando. O sargento Fábio Silva Lopes, que acompanhava Ronaldo César Neves na operação, trabalhava há 17 anos na PM. Outro policial que acompanhava a ação não teve a identidade divulgada.
Em nota, a PM informou que o inquérito já foi concluído e investigou “possíveis ilegalidades” na conduta dos agentes. O caso será julgado pelo Conselho de Disciplina (CD) da corporação que deve avaliar “a capacidade de os policiais militares permanecerem no serviço ativo”. O conselho decidirá, em 15 dias, se os agentes serão expulsos da PM.
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