Foto: oglobo

O Tribunal de Justiça de São Paulo marcou o julgamento do caso Carandiru para o dia 28 de janeiro de 2013. O júri ocorrerá no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

O julgamento irá analisar a ação de policiais militares, que resultou na morte de 111 detentos na Casa de Detenção de São Paulo, conhecido como Carandiru, no dia 2 de outubro de 1992. A PM invadiu o local após uma rebelião iniciada no pavilhão 9, onde ficavam os presos acusados pelos crimes mais graves.

O juiz da Vara do Júri de Santana José Augusto Nardy Marzagão afirmou ter decidido marcar o julgamento porque não haverá evolução nas investigações de uma perícia que está “fadada ao insucesso”. Ele disse que os laudos do processo apontam que os técnicos estão com dificuldade para fazer o confronto balístico entre as armas e os projéteis apreendidos no massacre.

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Marzagão afirmou que no dia 13 de outubro de 1992, 11 dias após o massacre, o IC (Instituto de Criminalística) já havia dito que não havia possibilidade de fazer confronto balístico. Na época, os peritos afirmaram que havia dificuldade porque os 136 projéteis levados à perícia eram de calibres diferentes das armas apreendidas com os policiais. Ele também pediu os antecedentes criminais dos acusados mortos na época para acrescentar ao processo.

A perita criminal diretora, Sônia Maria Bocamino Viebig, afirmou que agora, 20 anos após o massacre, as balas estão em processo de oxidação por serem feitas de metais, o que dificulta ainda mais a identificação dos vestígios que mostram a origem do projétil.

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Viebig também disse que falta informações para que a perícia seja feita com maior precisão, como o local onde os projéteis foram encontrados. Foram apreendidas 392 armas de fogo (calibres 38, 357 e 9 mm), mas, foram apreendidos 160 projéteis e fragmentos de balas. Apenas 136 deles são dos mesmoa calibres apreendidos. “Para que pudesse ser feito o confronto balístico, deveriam haver, no mínimo, 2352 projéteis”, disse Marzagão.

O juiz afirmou que o julgamento não poderia ser adiado novamente para não correr o risco de ser eternizado. Ele disse ainda que a falta dessas provas não prejudica a acusação, que nem as citou no processo.

Os réus que serão julgados são: Ronaldo Ribeiro dos Santos, Aércio Dornellas Santos, Wlandekis Antônio Cândido Silva, Roberto Alberto da Silva, Joel Cantílio Dias, Antonio Luiz Aparecido Marangoni, Valter Ribeiro da Silva, Pedro Paulo de Oliveira Marques, Fervásio Pereira dos Santos Filho, Marcos Antônio de Medeiros, Haroldo Wilson de Mello, Luciano Wukschitz Bonani, Paulo Estevão de Melo, Roberto Yoshio Yoshicado, Salvador Sarnelli, Fernando Trindade, Antônio Mauro Scarpa, Argemiro Cândido, Elder Taraboni, Sidnei Serafim dos Anjos, Marcelo José de Lira, Roberto do Carmo Filho, Zaqueu Teixeira, Osvaldo Papa, Marcos Ricardo Polinato, Reinaldo Henrique de Oliveira, Eduardo Espósito e Maurício Marchese Rodrigues.

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