Moradores da comunidade Posto da Mata, no município de Alto Boa Vista, a 1.064 quilômetros de Cuiabá, bloquearam um trecho da BR-158 na madrugada desta terça-feira (4) em protesto contra a desocupação da área indígena Marãiwatsédé. Por determinação judicial, mais de sete mil famílias devem deixar o local até o dia 1º de outubro deste ano. O protesto só vai terminar quando a decisão for suspensa, conforme o integrante da Associação de Produtores Rurais da Gleba Suiá Missú, Paulo Gonçalves.

Durante o protesto, os manifestantes impedem o tráfego de veículos pela rodovia, mais precisamente no trecho que corta o Posto da Mata. Já começou a congestionar a BR devido o bloqueio. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que está se deslocando até o local para controlar o trânsito e orientar os motoristas sobre a interdição.

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“Se já foi ofertada outra área para os índios, não é justo que todas essas famílias sejam retiradas”, declarou Paulo Gonçalves. Ele se refere à proposta do governo estadual para conceder uma área para índios da etnia Xavante no Parque Estadual do Araguaia. “Queremos um acordo para que todos fiquem bem”, enfatizou o manifestante, ao avaliar que pode haver conflito, já que muitas famílias devem resistir e se manter no local.

A extensão da terra, reconhecida pela Justiça como de propriedade dos indígenas, é superior a 165 mil hectares. De acordo com a Fundação Nacional do Índio, o povo xavante ocupa a área Marãiwatsédé desde a década de 1960. Nesta época, a Agropecuária Suiá-Missú instalou-se na região. Em 1967, índios foram transferidos para a Terra Indígena São Marcos, na região sul de Mato Grosso, e lá permaneceram por cerca de 40 anos, afirma a Funai.

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Em 1980, a fazenda foi vendida para a petrolífera italiana Agip. Naquele ano, a empresa foi pressionada a devolver aos Xavante a terra durante a Conferência de Meio Ambiente no ano de 1992, à época realizada no Rio de Janeiro (Eco 92). A Funai diz que neste mesmo ano, quando iniciaram-se os estudos de delimitação e demarcação da área, o local começou a ser ocupado por não índios.

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