A Escola Estadual Indígena Tapirapé, localizada na aldeia Majtyri, Terra Indígena Tapirapé-Karajá a 30 km do município de Santa Terezinha, teve projeto selecionado pelo programa Missão Pedagógica no Parlamento 2012, promovido pela Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), no mês de agosto. A prática, desenvolvida na unidade entre 2007 a 2010, promoveu a análise crítica e a cidadania dos estudantes indígenas do Ensino Médio.

Intitulado “A Formação da Consciência Crítica e Cidadã através do Conhecimento e Sensibilização pela Realidade”, o projeto foi desenvolvido durante as aulas de Biologia e Linguagem. Na proposta, os estudantes trabalharam por meio de discussões, análise e interpretação de textos, da Constituição Federal de 1988, do Estatuto do Índio e até mesmo as diretrizes da Carta da Terra.

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Para o aluno Xenikehe Karajá, do 1º ano do Ensino Médio, as discussões das Conferências, como a da Rio + 20, foram fundamentais para ele. “Não sabíamos o que está acontecendo no mundo, é muito bom ouvir sobre desenvolvimento sustentável porque cada vez mais o nosso planeta está morrendo”, destacou ele.

Sobre o processo legislativo, aborda os conhecimentos adquiridos no processo de aprovação das leis e fiscalização das ações e do orçamento público. “Estimulamos sempre que o aluno tenha conhecimento da legislação e suas implicações na realidade local, regional e nacional”, destaca a professora responsável pelo projeto, Flávia Aparecida Andrade Souza. Para fortalecer o projeto realizaram fóruns locais com a comunidade escolar (um de educação escolar indígena e outro de meio ambiente)

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O trabalho da Escola Tapirapé foi o único oriundo de uma comunidade escolar indígena apresentado na Missão Pedagógica Parlamentar 2012. Segundo a professora, o projeto foi um sucesso, “em nada o conhecimento repassado aos alunos da Escola Indígena Tapirapé diferem dos apresentados pelos professores das escolas urbanas”, diz.

A aluna Moo’ i Tapirapé, do 2º ano do Ensino Médio, reconhece que nas aulas aprendeu que “lutar pelos nossos direitos e o bem-estar do povo é respeitar as divisões da sociedade para melhorar a vida das pessoas para o desenvolvimento da nação”.

Conforme Flávia, o ensino da escola Tapirapé, dentre outras coisas, busca integrar os valores socioculturais do povo tapirapé com a atual conjuntura social, política e ambiental do País. A Escola Indígena Tapirapé, trabalha com cinco turmas de salas multicicladas, num total de 52 estudantes.

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O resultado do projeto foi dado pelo estudante Arawani Tapirapé, da turma do 3º ano. Conforme ele, “nós, como seres humanos, para sermos pessoas boas e para termos um planeta bom para se viver, precisamos de um espaço ou de um lugar para morar, conviver junto com o povo, seja na cidade ou na comunidade, respeitar o próximo, lutar pelos nossos direitos, pelo direito de bem estar do povo, ter uma renda para a família e assim ter uma vida digna”.

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