Dei esse como o título dessa discussão depois de ouvir essa frase, de uma professora que trabalha há 25 anos em salas de ensino fundamental e médio.

Essa foi a frase final após uma série de insistência para conversarmos acerca da escola ciclada, as dificuldades e seus pontos positivos e negativos. Ao ouvir isso procurei outra professora, mãe de uma colega que prontamente abriu um diálogo.

Nesse diálogo, ofereceu-me um livro de título: DOCÊNCIA E DESESPERO – avaliação de aprendizagem da escola ciclada da autora Renata Cristina Cabrera.

Então perguntei se a coisa estava tão feia a ponto do título do livro mencionar “desespero”, e ela disse olha a coisa tá feia pra quem ainda não buscou alternativas. O fato é que antes a educação era para os ricos, para isso que a escola foi criada, com o passar dos tempos o Estado foi abrindo aos poucos a porta para as comunidades e hoje a implantação da escola ciclada vem de encontro de fato com a democratização da escola, ou seja, ela atende o aluno pobre”

Aproveitando, questiono: “mas assim dá a entender que é preferível uma sala cheia, ao uma educação de qualidade” e a professora responde “a qualidade nunca houve de fato, nossa educação sempre foi o que se dá para fazer, é claro que para o governo sempre foram números e números é verba pra fazer o acontecer dentro da escola, mas a verdade é que hoje eu penso que é melhor a sala cheia!”

Essa professora ainda me explicou que os alunos ainda cobram professores com livros e provas para ministrar aulas e notas, visto que ainda buscam esse padrão nas aulas. Ela menciona isso porque quando parte para aulas mais dinâmicas e “diferentes” os alunos acabam perguntando quando ela irá utilizar o livro ou passar o texto na lousa. Ainda no mesmo diálogo conta que a maior dificuldade e que sempre sentiu isso sendo escola ciclada ou seriada é que, cada vez mais a família perde o interesse ou o hábito de leituras, estudos e acompanhar de fato a vida escolar. Para essa professora o que se encontra na escola não se ensina na universidade, apesar das teorias que se aprende serem necessárias para a compreensão dos processos ensino-aprendizagem, no entanto, a prática resume-se nas dinâmicas de cada dia, e nessa realidade se conta com saliva, livro e giz.

A professora termina dizendo que o problema é a escola e os profissionais que ainda saem das universidades despreparados, pois ainda são frutos de um sistema “seriado” e pensam como o tal.

Renata Cristina Cabrera em seu livro, em 2006 descreve a real dificuldade dos profissionais da Educação não só em entender as diferentes possibilidades de avaliações bem como qual a prática avaliativa mais adequada à escola ciclada no Estado de Mato Grosso. Na apresentação de seu livro Antônio Carlos Máximo diz, “… com relação às formas de avaliação a que são submetidas às crianças… não há outro caminho senão investir forte e continuadamente na formação dos professores, pois ninguém pode realizar um trabalho pedagógico para o qual não se teve formação”.

Navegando na internet achei um texto que debatia em uma síntese o livro que recebi e destaco assim, certos pontos da discussão amparada no blog “TODOS PELA EDUCAÇÃO”.

“Ao discorrer sobre as teorias da avaliação da aprendizagem, a autora destaca a ideia de avaliação, como mensuração por meio de testes padronizados, introduzidos no Brasil na década de 30, segundo a autora até a década de 50, a avaliação sofreu forte influência da Psicologia, porém nos anos 60 e 70 foi o tecnicismo, cujo maior pressuposto era a racionalização do trabalho já a partir da década de 80, se sobressai os estudos que denunciam as práticas avaliativas de natureza seletiva e classificatória, em 1984, no XVI Seminário Brasileiro de Tecnologia Educacional, aprofundam as reflexões feitas no XIV seminário e propõe a avaliação diagnóstica a favor da democratização do ensino.”

Leia também:  Luto e luta: todas as vidas nos importam

Sendo assim duas vertentes se sobre avaliação uma que se caracteriza pela ênfase na racionalidade e objetividade do processo avaliativo e a outra que considera além dos aspectos quantitativos também os aspectos qualitativos, considerando não só o produto das aprendizagens, mas também a forma como essa vem se dando.

Neste sentido a autora cita Demo (1995) que diz: “… por mais que possamos admitir qualidade como algo mais e mesmo melhor que quantidade, no fundo uma jamais substitui a outra, embora seja possível preferir uma à outra”.

A avaliação segundo a autora não é uma pratica neutra, é um ato político e está a serviço da sociedade que a mesma está inserida, neste sentido Ohlweiler (1997) diz: “a avaliação da aprendizagem, não sendo um processo neutro, está vinculada a uma ideologia político-social”.

O profissional, que trabalha na perspectiva da avaliação formativa, não estará preocupado em atribuir notas aos estudantes, mas em observar e registrar seus percursos durante as aulas, a fim de analisar as possibilidades de aprendizagem de cada um e do grupo como um todo, podendo planejar e relampejar as possibilidades de intervenção junto às aprendizagens dos estudantes. Lembrando sempre que os envolvidos no processo de avaliação deverão ter clareza sobre o que é esperado deles para viabilizar a auto avaliação”

O texto da escola de vidro claramente nos propõem que a escola deve de fato atender sua maior missão, ensinar de forma libertária e isso significa respeitar cada um com seu tempo de aprender, seu jeito de aprender e sua capacidade.

Mas como fazer isso diante da estrutura que temos?

Imaginem uma sala com trinta ou mais alunos, e apenas um professor, além de toda a cultura familiar que cada um carrega e coloca em sala de aula.

Nos parece também que as famílias hoje colocam a escola como uma forma de “terceirizar” a educação dos filhos, enquanto passam a semana brigando pelo sustento dentro de nosso sistema de produção, o capitalista. Isso me faz lembrar de um mito grego : o Labirinto…

Assim para contrastar os fatos coloco mais uma discussão retirado do blog PERISCÓPIO, que diz:

“Todos lembram daquele padrão de escola tradicional: carteiras enfileiradas, alunos em silêncio e de cabeça baixa, todos vestidos em tons escuros, todos escrevendo, escrevendo, escrevendo. A professora, deus-nos-livre! Mulher implacável, juíza do bem e do mal, pronta para punir qualquer gaiato que pergunte as horas ao colega ou que deixe de copiar para ler um romance de faroeste. Sentada na sua cadeira, ela fiscaliza tudo, espreitando por cima dos óculos. De repente, levanta e dispara a pergunta à queima-roupa: Joãozinho, quem descobriu o Brasil?

Leia também:  Lula fingindo ser Lula

Num belo dia (ou em vários belos dias, pois falamos de várias pessoas em tempos diferentes), pensadores pensaram demais e concluíram que esse modelo de escola é prejudicial, pois limita, oprime, tolhe, molda, cerceia, escraviza, atrofia as pobres mentes das criancinhas. Repetir que “bê mais a é igual a bá” virou pecado dos gravíssimos. Falar de coisas de fora do contexto imediato do aluno tornou-se delito passível de pena de morte. Decorar regras de gramática, a tabuada y outras coisitas passou a ser considerado crime contra a humanidade.

No Brasil, muita gente entrou em polvorosa com essas teorias. Estava aí a saída! E tivemos um agravante bastante… grave: o país era regido por uma ditadura militar de direita, que coordenava a rede de ensino. Logo, a educação tradicional passou a ser identificada como instrumento de doutrinação do regime (e realmente era, até certo ponto). Logo, ser contra a ditadura significava ser contra o bê-a-bá, contra decorar a tabuada, contra fazer ditados e sabatinas.

Findo o regime militar, tratou-se de implodir o modelo vigente de ensino. Era “cool” ser progressista, ser construtivista, ser interacionista, ser Freireano, ser Piagetano, etc. O importante era que a escola fosse prazerosa e que se aprendesse “CONSTRUINDO O CONHECIMENTO”. Punir a indisciplina dos alunos foi confundido com autoritarismo de direita. Reprovar os que não aprendem foi confundido com autoritarismo de direita. Escrever as notas abaixo da média com caneta vermelha também não pode, pois traumatiza os coitadinhos, além de ser autoritarismo de direita. Mandar decorar as capitais dos Estados do Brasil, adivinhe: é autoritarismo de direita. Cantar o Hino Nacional, então, é o mais terrível exemplo de autoritarismo de direita! É coisa de milico! “Tradicional” virou xingamento, tornou-se sinônimo de “Fascista”

Temos, desde então, a melhor educação do mundo inteiro. Sim, do mundo inteirinho. Nossos métodos são inovadores e sintonizados com a vanguarda do pensamento pedagógico. Nossos alunos não podem mais ser punidos, pois temos a legislação “mais moderna do mundo” para a área. Privilegiamos a riqueza da experiência dos educandos, a construção pessoal e prazerosa do conhecimento, e nossos alunos nunca estiveram tão mal. Nunca, em toda a História.

Quem é professor sabe: a maioria dos estudantes brasileiros sai da 8ª série sem capacidade para resolver um problema matemático de 4ª série ou para entender um texto infantil. Eles não ficam mais lendo romances de faroeste na sala de aula, porque simplesmente não lêem mais nada. Escrever, então, nem pensar. Eles cometem tantos erros de ortografia e concordância, são tão incapazes de se expressar por escrito, que poderiam ser considerados analfabetos no sentido clássico, e não “analfabetos funcionais, como reza a atual nomenclatura. É duro admitir, mas foi nisso que a Educação Progressista nos transformou: num país de analfabetos.

Ao mesmo tempo, citam-se os exemplos de países que vão bem na educação, como a Finlândia, a Coréia do Sul, o Japão. Entrem numa sala de aula desses países e vejam se lá essas teorias libertadoras têm vez. E não adianta dizer que a educação de lá é melhor por causa do dinheiro e da tecnologia. A educação dos países de ponta é melhor porque lá se sabe que só aprende quem estuda. Lá a educação é voltada para RESULTADOS, pois SÓ OS RESULTADOS LIBERTAM. Eu disse: SÓ OS RESULTADOS LIBERTAM.

Leia também:  O uso excessivo da internet causa doenças?

Vivemos aqui também um Boom Tecnológico, estamos incluídos na globalização e seus efeitos.

A tal “inclusão digital” já chegou nas periferias. Quase todos os alunos pobres usam computador, seja em casa ou nas lan houses. Mas usam apenas para acessar o Orkut (onde escrevem coisas como “eu é minha amiga adoro ela nós samos show” e o MSN (onde usam nicks como “ale to na pista pra negosio“). Não nos falta tecnologia. Falta rumo.

O futuro da Educação está numa volta ao passado. Não para andarmos pra trás, mas para voltarmos a fazer coisas que antes davam certo, adaptando-as ao invés de implodi-las. Comparem um aluno de 4ª série dos anos 50 com um aluno de 8ª série de hoje e veremos qual é o modelo que realmente funciona.”

O fato é que tudo que é novo traz medo e muitas discussões, percebo que a escola ciclada atende muito bem os números que o governo tanto almeja, que a seriada espantou muitos alunos que não conseguiam acompanhar pq talvez fossem eles os primeiros a estudarem em suas casas tendo assim pouco apoio, porque a vida pede sustento, ou até mesmo ninguém para tirar dúvidas pertinentes ao estudo que acabam surgindo o tala do “mãe como que isso?” “Pai me explica isso por favor?”, não sendo a escola seriada a melhor forma de se ensinar a voar.

Seria então uma proposta repensar a ciclada, a seriada…enfim mudar repensar, debater e rebater…a escola nunca estará pronta, porque somos seres humanos sempre remodelando moldes para que nos atenda em cada fase e necessidades. Mas claro que um modelo, humanista e sério pode vir a atender de fato esses estímulos no educar.

No entanto insisto de que discutir escola é ótimo, mas não deveríamos de deixar de incluir nessas discussões a família e tão pouco a própria família se auto excluir, visto que a escola é ferramenta no processo de ensino aprendizagem. A família como núcleo, e como a primeira organização que a criança tem contato e que é fundamental na construção de princípios e valores é fundamental neste processo.

Para isso é preciso discutir nos lares hábitos. Dentre estes coloco um pequeno exemplo: O que se prefere hoje ganhar no aniversário? Pense, agora se responda o que pensou?

Acredito que respostas diversas vieram, e possivelmente poucos optaram por livros.

Isso talvez mostre que nossos hábitos estão muito mais ligados a consumo de insumos ao consumo de saber. Isso não é utópico, mas como diz um certo radialista que gosto muito “depois que vi a TV Batendo Record de audiência com a apresentação da eguinha Pocotó em pleno Domingão do Faustão definitivamente, penso que a arte e a cultura a cada dia passa ser mais ridicularizada e passa a se esconder e ser usada por poucos, como uma droga ilícita que nos sacia, mas que vem sendo utilizada em cinemas velhos e escuros, em sebos quase esquecidos, em museus pouco visitados que funcionam só pra dizer que estão lá, por estudantes que se obrigam a buscar porque o professor assim deu como tarefa. O Brasil precisa se despocotizar.”

Melissa Jäsche

Universitária Geografia Licenciatura – UFMT

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.