Em tempos em que se discute a maior participação dos alimentos na inflação, devido à alta externa dos produtos agrícolas, o feijão também poderá ser colocado nessa lista nos próximos meses.

Um produto basicamente de produção e consumo internos, já que exportações e importações são pequenas, o feijão é mais uma vítima das fortes elevações de preços da soja e do milho no exterior.

A sequência de secas na América do Sul e nos Estados Unidos provocou uma queda na produção de grãos, reduziu os estoques e elevou os preços.

A conjugação desses fatores leva os produtores a elevar a área de soja e de milho, em busca de rentabilidade maior, reduzindo a de outros produtos.

É o que vai ocorrer com o feijão, diz Marcelo Eduardo Lüder, analista da corretora Correpar.

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Há uma grande dúvida sobre a área que começa a ser destinada à leguminosa, mas seguramente haverá queda no plantio de feijão preto e carioca.

O problema é que isso ocorre exatamente em um momento de retomada no consumo de feijão no país.

Dados da Embrapa indicam que, após ter atingido 26,6 quilos por pessoa no final da década de 1960, o consumo chegou a apenas 12,7 quilos por ano no início dos anos 1990. Depois o consumo voltou a crescer e já está em 17,2 quilos por pessoa.

Lüders diz que um dos motivos do avanço do consumo se deve à utilização maior de feijão nos restaurantes por quilo, o que compensa a queda no uso nas residências.

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O analista destaca, ainda, que nos últimos anos o produto tem chegado mais fresco e com mais qualidade aos supermercados. Com isso, há uma aceitação maior por parte das donas de casa.

Lüders afirma que outro ponto favorável ao consumo de feijão tem sido as avaliações de nutricionistas e de médicos, que apontam os aspectos benéficos da leguminosa à saúde.

MUDANÇAS

A produção de feijão, tradicional entre os pequenos agricultores, agora provém cada vez mais de médios e grandes proprietários.

O Censo Agropecuário de 2006 indica que 81% da produção de feijão vem de médios e grandes produtores, que são responsáveis por 69% da área cultivada com o produto.

A produção nacional gira em torno de 3,7 milhões de toneladas por ano, volume próximo do que é consumido.

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Biodiesel no PIB 1 Estudo da Fipe, encomendado pela Aprobio (Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil), mostrou que a introdução do biodiesel no diesel aumentou a inflação a ponto de provocar uma redução de R$ 8,5 bilhões no Produto Interno Bruto de 2008 a 2011.

Biodiesel no PIB 2 A economia com a redução da importação de diesel no mesmo período, no entanto, foi de R$ 11,5 bilhões. Considerados também o aumento da produção de farelo de soja e a redução da oferta de óleo ao consumidor, já que o óleo é a principal matéria-prima do biodiesel, o saldo final no PIB é um aumento de R$ 12 bilhões.

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