Cavaletes não votam

Aliviados! Se os meus olhos pudessem dizer algo, com certeza, essa seria a primeira palavra -gritada- que sairia da minha retina, ao vislumbrar o sumiço dos cavaletes eleitorais.

Da Prainha ao CPA, aqui na capital, eu juro, não vi nenhuma foto “photoshopada” sorrindo ou me oferecendo dois ou cinco algarismos. A poluição-política-visual foi embora.

Preciso confessar que nas últimas chuvas, ainda na reta final da campanha, me alegrava ao ver os desrespeitosos cavaletes se deteriorando na água. Tudo bem que no outro dia alguns retornavam à árdua rotina, mas traziam em si as sequelas merecidas: “mancos”, sem pernas, apoiados por pedras, “emplastifcados” ou dotados com alguma arte da gambiarra para manter-se em pé.

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Se cavaletes votassem, meu amigo, o recordista destas pragas, em Cuiabá, teria dado muito mais alegria ao seu tio, fonte inspiradora desse tipo de poluição. O ex-deputado estadual Sérgio Ricardo e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, uma hora dessas, já deve ter puxado as orelhas de seu pupilo derrotado.

A fatura da poluição visual deve ter ficado muita cara. Há quem diga que foram enviados cavaletes até para Marte, e tudo isso registrado pelo robô Curiosity, do laboratório móvel da NASA no planeta vermelho. As fotos foram, inclusive, postadas no Facebook (tudo não passou de uma bricadeira/protesto de internautas bem humorados).

Chega de piada, afinal, a mais engraçada foi o resultado nas urnas: o número de votos foi inferior ao de cavaletes. Esse mérito também pode ser atribuído à outros candidatos. Teve também aquele playboy do helicóptero adesivado, que roubou a cena no ar, mas que não chamou a atenção em terra firme.

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E por fim descobrimos que os adjetivos “cheiroso e cheirosa, gut gut e bonita” não convencem mais os eleitores. É fato! A popularidade de um candidato pop não alcançou metade dos votos recebidos na eleição passada.

P.s. É bom que as milhares de bandeiras amarelas, banners e cavaletes em forma de coração intensifiquem suas jornadas de trabalho (ou não). Afinal, o representante da estrela vermelha, não usou sequer nenhum tipo desses artifícios, e mesmo assim, chegou ao segundo turno. Mas essa é outra –longa- história.

Eduardo Cardoso é acadêmico de jornalismo.

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