O chefe dos negociadores das Farc, Iván Márquez (codinome de Luciano Marín Arango, à dir.), discursa em Oslo ao lado do militante da guerrilha Jesús Santrich

O governo colombiano e a guerrilha das Farc lançaram formalmente nesta quinta-feira (18) em Oslo, na Noruega, um processo de paz para pôr fim a quase meio século de conflito armado. As conversas foram abertas com um comunicado conjunto lido por Cuba e Noruega, países que supervisionam as negociações.

O negociador-chefe do governo colombiano, Humberto de la Calle, declarou que não haverá cessar-fogo até que as duas partes assinem um acordo final de paz.

— Até que isso ocorra, nós iremos manter nossas obrigações militares.

Na última segunda-feira, um atentado a bomba no leste da Colômbia matou duas pessoas e deixou quatro feridas, segundo fontes oficiais.

Apesar do início das negociações, Farc e governo colombiano terão ainda um longo caminho pela frente até selar o acordo de paz.

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Um dos temas mais polêmicos é a reforma agrária, razão que levou à formação da guerrilha na década de 60.

O tema começará a ser tratado em 15 de novembro, em Cuba, segundo comunicado lido pelo representante da ilha caribenha.

Segundo o negociador das Farc, Iván Márquez, sem justiça social, a paz seria “semear ilusões” para o futuro da Colômbia.

— Uma paz que não aborde a solução dos problemas políticos e sociais (…) equivaleria a semar ilusões no solo da Colômbia.

Para o negociador do governo, no entanto, “não iremos discutir propriedade privada ou reforma econômica”

Apesar disso, La Calle declarou que as Farc até agora cumpriram rigorosamente com seus compromissos pelo acordo de paz.

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— O governo também fez isso, apesar das diversas complexidades logísticas superadas de maneira eficiente com a ajuda dos países avalistas [Noruega e Cuba].

Essa é a quarta tentativa em 30 anos de acabar com o conflito que já deixou milhares de mortos.

Diversas tentativas anteriores de se fechar um acordo de paz fracassaram, e algumas delas inclusive acabaram reforçando a capacidade da guerrilha de atacar alvos civis e militares.

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