Eu sabia que existia a compra de votos etc…, mas colocava a culpa sempre nos candidatos e justificava os motivos pelos quais o povo se vendia, ou seja, por estar em uma situação de extrema pobreza, ou precisando de remédio caro para um ente querido, por muitas vezes cheguei a pensar e a dizer: “O povo é humilde demais para entender que isto é crime”, outras vezes “Coitadinho do povo”.

Durante estes 3 meses de campanha, agora como candidata e não cabo eleitoral, conheci o outro lado da campanha política, o lado “sujo”, mas que o mais responsável pela manutenção dessa sujeira, é o próprio povo , quem eu tanto defendo e almejo melhoria de vida.

Você, eleitor, sabe que para se ganhar uma eleição, é preciso muita caminhada, muitas visitas, bairros de todas as classes e níveis sociais. Como minha campanha foi com poucos recursos financeiros, não consegui visitar todos os lugares e pessoas para fidelizar meu voto. Mas nos bairros em que foi possível presenciei cenas de fazer chorar. Famílias morando em barracos sem a mínima dignidade, falta de saneamento básico, asfalto, energia elétrica, posto de saúde, segurança pública, enfim o básico para se viver.

Mas o que me deixava mais indignada não eram as condições de vida, e sim a falta de  coerência do povo para buscar sair desta situação, pois ao apresentar minhas propostas , caso fosse eleita vereadora era interpolada com algumas respostas estarrecedoras como: “Moça, aqui só votamos em quem “ajuda” a gente, precisamos pagar nossas continhas, precisamos pagar o leiteiro, se a senhora dar essa mãozinha pra gente. Nós votamos na senhora.”. Tentava conscientizar sobre a compra de voto através de favores, perda de tempo, as pessoas finalizam: “Infelizmente a política é assim, a gente vota em quem dá alguma coisa pra nós”.  Fatos como este foi rotina na campanha, mudando apenas o objeto da solicitação, ora gasolina, ora remédio, ora cesta básica e pasmem uma senhora no bairro Alfredo de Castro me pediu uma blusa no valor de R$: 20,00 para ir votar de roupa nova no dia 07 de Outubro.

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Com uma equipe reduzida, apenas 3 contratados e restante voluntários, por onde passei, fui bem recebida e sempre com reconhecimento positivo de meu trabalho realizado junto ao Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, porém ao perceber que o “norte” de uma campanha política passa pela corrupção, comecei a entender que dificilmente seria eleita, mas, entendi que o político faz a oferta, corrupto mesmo e criminoso é que aceita a corrupção, o comentário medíocre: “Peguei o dinheiro de um e votei em outro, enganei o político”, enganou a si próprio, enganou a dignidade de quem vota consciente. Sei que nesta campanha não fui a única a fazer uma campanha limpa, e você candidato que se portou com dignidade desconsidere minhas críticas e receba meus parabéns, você ganhou e a dignidade eleitoral também.

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Quanto ao povo corrupto, e volto a eximir os eleitores dignos, irão aguentar 4 anos sem poder reclamar de suas vidas difíceis e cheias de problemas que devem ser resolvidas pelo poder público, quando menciono 4 anos não são só de prefeitos ou vereadores, falo de todo cargo público eletivo.

Com relação a não conquista de uma cargo por uma representante do sexo feminino, fico ainda mais chocada, 58 nomes foram colocados, eram mães, donas de casa, professoras, médicas, advogadas, psicólogas, entre outras, todas preparadas para lutar pelos direitos do povo, não só das mulheres, mas da família, dom que temos por natureza. Ainda não consegui entender o real motivo por não terem votado nas mulheres, afinal 52% dos eleitores são do sexo feminino, poderíamos ter eleito no mínimo 04 bons nomes. Talvez seria a ocasião de se mudar a legislação eleitoral e ao invés de exigir 30% de cota para candidatas, mudar para 30% de cargos eletivos, seria uma forma de reduzir o uso da mulher como legenda e trampolim eleitoral para homens.

Eu, Sandra Raquel não me elegi, mas obtive 342 votos limpos e conscientes, obrigado a você que me confiou e que depositou esperanças em minha eleição, voto voluntário e que não se deixou levar pelo poder da corrupção, votou no 22.190 com espontaneidade e alegria. Saio desta batalhada mais fortalecida e mais preparada para a próxima. Continuarei lutando por minhas propostas com o a Criação da Secretaria de Políticas Pública para as Mulheres, plantão da Delegacia da Mulher e entre outas que todas as pessoas que não deixam levar por pessoas oportunistas e sem capacidade para propor seus próprios projetos e aproveitam para divulgar, aliás, agradeço a incorporação nos projetos, porém como valor agregado, não como mãe da criança.

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Enfim, o número de votos ou as decepções não me farão desanimar, continuarei defendendo os mais necessitados, porém com um pouco mais de rigor, pretendo conscientizar que além de receber ajuda, as pessoas precisam se ajudar e ajudar a criar um mundo melhor. E esta mudança passa essencialmente pelo voto, pois quando estamos cuidando de nossa sobrevivências, os parlamentares e governantes estão decidindo nosso futuro. Continuarei minha busca por este “poder” de decidir por um número maior de pessoas, decidir pelo melhor futuro da sociedade a margem da dignidade, decidir por muitos que clamam apenas por uma oportunidade, decidir pelo bem do próximo, perdemos apenas uma batalha e não a guerra.

E já iniciando nova fase desta batalha, começo uma nova missão,  colocarei meu nome para disputar a presidência do meu bairro, Jardim Serra Dourada, pois o segredo da vida é sacudir a poeira levantar a cabeça e seguir em frente, então, lá vou eu a luta.

Abraço fraterno a todos!!

 

Sandra Raquel Mendes

Presidente de Honra do Conselho da Mulher

Vice-presidente do PR Mulher

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