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O ditado popular costuma dizer que “cada um tem sua mania”, mas quando a “mania” vira alteração de comportamento importante, causando prejuízo nas relações sociais e também no convívio familiar, a pessoa pode ter desenvolvido algum tipo de transtorno mental.

Uma das dúvidas mais recorrente é saber diferenciar sintomas considerados normais de enfermidades como o transtorno bipolar, o transtorno obsessivo-compulsivo e a esquizofrenia. À primeira vista, os sintomas relacionados com os três casos podem até ser parecidos, mas com o agravamento das doenças, as diferenças começam a se destacar e impactar negativamente na qualidade de vida do portador.

O transtorno bipolar é caracterizado pela alternância de humor, na qual, por um período, a pessoa passa por uma euforia anormal — fase maníaca — e, em outro, entra em estado de apatia e tristeza, sem estímulo para exercer funções que antes eram prazerosas: o estado depressivo. Além disso, a pessoa acometida pela doença geralmente apresenta, mesmo entre as duas fases, instabilidades de humor como irritabilidade, impulsividade e maior tendência de abusar de substâncias ilícitas. Parece muito simples identificar o transtorno bipolar, mas seu diagnóstico pode demorar a ser descoberto se os sintomas apresentados forem brandos e a família tolerante a eles.

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Trata-se de uma doença presente em cerca de 3 a 5% da população e é multifatorial, ou seja, causada por fatores estressores e predisposição genética. A doença geralmente se manifesta pela primeira vez em adultos, mas ela também pode aparecer em qualquer fase da vida.

— O tipo de manifestação inicial mais comum é um quadro depressivo e, por isso, muitas vezes a doença é tratada de forma equivocada. Os primeiros episódios de depressão são seguidos de fases de euforia e oscilações rápidas de humor que deterioram muito o funcionamento social e profissional da pessoa — ressalta Márcio Gerhardt, médico psiquiatra do Programa de transtornos afetivos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas da Universidade de São Paulo (USP).

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Pistas podem facilitar o diagnóstico precoce

O transtorno bipolar é uma doença crônica, assim como hipertensão ou diabetes que, se não estabilizada, evolui para deterioração da inteligência e inúmeros prejuízos sociais. Apesar de não ter cura, é possível prevenir os episódios de alteração de humor com o tratamento adequado, que inclui vários tipos de medicamentos estabilizadores do humor.

Já no transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), o indivíduo apresenta ideias intrusivas (obsessões) geradoras de muita ansiedade que necessitam de atos repetitivos para alívio (compulsões). O sentimento de alívio surge apenas com a repetição de determinados comportamentos.

A esquizofrenia, por sua vez, tem maior incidência em jovens entre 25 e 30 anos e se caracteriza, principalmente, por sintomas psicóticos e um curso com deterioração grave. Os pacientes podem apresentar os chamados “sintomas negativos” que são os primeiros a serem observados, como a perda do interesse em assuntos de seu meio social e o distanciamento da família, muitas vezes, com indiferença de sentimentos. Essa fase pode durar anos até que os sintomas “produtivos” ou psicóticos apareçam.

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Vale lembrar que o papel da família é muito importante para o diagnóstico precoce e também para o tratamento. Além disso, a ajuda especializada é essencial, já que a intervenção precoce é a medida que mais evita maiores danos.

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