André Bragantini comemora uma de suas vitórias no Brasileiro de Marcas (Foto: Bruno Terena/ divulgação)

Integrante de uma família envolvida com o esporte a motor e piloto profissional desde os 16 anos, André Bragantini conquistou títulos regionais e nacionais, já correu na Stock Car e atualmente briga pelos títulos da Copa Fiat – na qual já venceu duas corridas e foi ao pódio seis vezes em oito provas – e do Brasileiro de Marcas, campeonato em que também venceu duas provas neste ano. As comemorações das vitórias têm ainda mais sabor para alguém que, como ele, luta desde a infância contra os sintomas de uma doença rara, a Síndrome de Gilles de La Tourette. É uma disfunção no sistema nervoso que provoca espasmos involuntários no corpo e na voz, que se convertem em gestos descoordenados e pequenos gritos que intercalam sua fala.

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Se os espasmos não atrapalham no cockpit, fora das pistas a coisa não é tão simples. Em 2008, André passou por uma cirurgia no cérebro para amenizar os efeitos da doença, que não tem cura, pouco depois de viver uma situação constrangedora: foi notificado pelo síndico do condomínio onde morava por supostamente perturbar os vizinhos. Segundo ele, ao longo da vida o preconceito causou mais problemas do que o diagnóstico, uma vez que a doença jamais o impediu de disputar corridas.

– Em um primeiro momento, as pessoas que não me conhecem olham meio assustadas, perguntando “o que é que esse maluco está fazendo?”, porque é como se eu tivesse um fio desencapado no sistema nervoso, mandando informações confusas para o corpo. Mas, quando estou concentrado, isso quase não aparece. E, desta forma, eu piloto normalmente. Uma pena que exista gente que se comporta de maneira preconceituosa e não procura entender o que acontece com os outros – disse um bem-humorado André em uma entrevista ao programa Linha de Chegada, do SporTV. Além de dar palestras motivacionais em empresas, em 2009 ele também fez uma participação na novela “Viver a Vida”, da Rede Globo, contando sua história ao fim de um dos capítulos.

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De pai para filho

Uma doença também tranformou a vida e a carreira de Miguel Paludo, que compete em uma das três divisões nacionais da Nascar. O gaúcho, que se descobriu diabético há oito anos, foi bicampeão da Porsche GT3 Cup Brasil antes de seguir carreira nos Estados Unidos, onde se estabeleceu com bons desempenhos em pouco mais de dois anos. Além de suas performances na pista, seu engajamento fora delas sobre a conscientização a respeito dos cuidados com os mais de 360 milhões de portadores ao redor do planeta fizeram com que a Federação Internacional de Diabetes (IDF) o nomeasse como atleta “Blue Circle Champion”. Desde maio deste ano, ele integra um rol de esportistas de alto nível e que são afetados pela disfunção metabólica que altera de forma anormal o nível de açúcar no sangue.

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