Juliana e Larissa, em um dos poucos momentos de descontração dupla na entrevista ao Globoesporte.com (Foto: Roberto Leite/Globoesporte.com)

O que dizer se o Doutor Watson abandonasse Sherlock Holmes? Ou se o Gordo decidisse seguir carreira solo e deixasse o Magro? Parece difícil imaginar que certas duplas possam caminhar separadas. Entretanto, uma das parcerias mais bem-sucedidas da história recente do esporte brasileiro está com os dias contados. Larissa, 30 anos, que joga ao lado de Juliana, 29 anos, há nove anos, anunciou, em outubro, que pretende se afastar do vôlei de praia ao fim desta temporada e tocar outros planos sozinha. Juliana continuará na modalidade, com outra parceira.

A decisão veio após mais de mil vitórias, sete títulos do Circuito Mundial, dois pan-americanos, um bronze olímpico e uma longa lista de títulos e recordes. Em quase 40 minutos de conversa com o GLOBOESPORTE.COM/CE, a dupla falou sobre o ouro olímpico que não veio, a grandeza das americanas Walsh e May e a separação.

Leia também:  União estreia com derrota diante do Dom Bosco no Luthero

A história com o vôlei começou em 2001, e um ano depois a dupla passou pelas primeiras provações. Juliana, aos 19 anos, rompeu o ligamento do joelho, e Larissa, que estava com 20, teve problemas com hérnia de disco. No entanto, recuperaram-se e, em 2005, venceram o primeiro Circuito Mundial. As jogadoras encontraram no Ceará o local perfeito para construir uma vida. Juliana, paulista, e Larissa, capixaba, pretendem continuar em Fortaleza mesmo após o fim da dupla.

– Eu não nasci aqui, mas eu sou federada pelo Ceará. Então, todo mundo já associa ao meu nome. É a Juliana do Ceará. – afirma a santista.

O ouro olímpico, no entanto, é um ponto de divergência da dupla. Embora as duas reconheçam o diferencial da medalha dourada, Larissa valoriza o suor gasto nas outras competições e diz que não trocaria os títulos já conquistados pelo lugar mais alto do pódio das Olimpíadas.

Leia também:  Alto Araguaia será representada por quatro tenistas na Copa das Federações em MG

– Eu acho que todos os títulos são muito importantes: Mundial, Pan-Americano, tudo… – ressalta.

Juliana, no entanto, ressalta a importância do torneio e revela que trocaria todos os títulos já conquistados pelo lugar mais alto do pódio olímpico.

– Ser campeã do mundo, sem dúvida, é uma coisa única, mas o Circuito Mundial tem todo ano. Olimpíadas, só de quatro em quatro anos – explica.

O desgaste causado por nove anos de convivência, treinamentos árduos e uma “dose cavalar de pressão”, como elas mesmas replicam, ajudam a explicar as razões da separação. As discordâncias ficam claras em diferentes momentos durante a conversa. Mas a vida segue, com a certeza de que o nome da dupla está gravado na história da modalidade. Enquanto Juliana continua no esporte, Larissa quer aproveitar para ser mãe, cuidar do corpo e dos negócios.

Leia também:  Brasileira leva ouro em natação e se torna a 1° campeã mundial do país
Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.