O presidente da China, Hu Jintao, discursa em Pequim (Foto: AFP)

O presidente da China, Hu Jintao, pediu “mais reformas democráticas” no país, em seu discurso de abertura do 18º Congresso do Partido Comunista (PCC).

“A reforma da estrutura política é uma parte importante das reformas globais da China. Devemos continuar nossos esforços, ativa e prudentemente, para prosseguir na reforma da estrutura política e ampliar a democracia popular”, declarou Hu Jintao diante dos 2.000 delegados do PCC.

Os delegados, escolhidos a dedo, se reuniram no Grande Salão do Povo em Pequim para o início da reunião de uma semana de duração, realizada sob um cenário de crescente agitação social, indignação pública e um enorme abismo entre ricos e pobres.

O congresso oficializa a troca de cúpula de líderes da potência econômica, com a substituição do presidente Hu Jintao por seu sucessor Xi Jinping, vice-presidente do Estado chinês desde 2008.

Leia também:  EUA quer que o Brasil e os demais países latinos rompam com Coreia do Norte

Na abertura, Jintao também afirmou que o PCC precisa lutar contra a corrupção em seus quadros, sob a hipótese de um eventual fracasso causar “a queda do Estado”.

“Uma falha nesta questão será fatal para o partido, e poderia até mesmo causar a queda deste e também a do Estado”, disse.

As palavras de Hu têm especial importância em um ano marcado pelo escândalo em torno de Bo Xilai, até março passado líder máximo do PCC em uma das principais cidades chinesas, Chongqing, e que agora enfrenta um possível julgamento por corrupção.

A este caso se unem outros, como o do ex-ministro das Ferrovias Liu Zhijun, recentemente expulso do partido por ter aceitado suborno no curso da multimilionária construção da rede de alta velocidade chinesa.

Leia também:  Incêndio em Portugal continua e deixa 27 mortos e mais de 50 feridos

Por fim, em outubro, o “New York Times” publicou uma extensa reportagem na qual acusava a família do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, de ter enriquecido graças à posição dele. O governo negou as acusações.

Posse em março
Xi Jinping, transformado no secretário geral do PCC, passará de fato ao posto de presidente da República, em uma formalidade prevista para março.

O novo presidente vai dirigir uma China em plena mudança, com uma economia quase capitalista, afetada pela crise financeira europeia e uma população ávida por reformas políticas e de transparência, sobretudo acerca da riqueza dos líderes comunistas.

Oito em cada dez chineses nas cidades esperam mudanças políticas, segundo pesquisa publicada na quarta (7) pela imprensa oficial.

Leia também:  Aviões elétricos devem estar disponíveis no mercado até 2022

A China é o principal parceiro comercial do Brasil.

Não há democracia no país, mas, em termos econômicos, a China virou um país que, a cada sete anos, dobra sua riqueza. O dado se repete há três décadas. O crescimento de 10% ao ano virou normal. Esse ano, a previsão de apenas 7,5%, um número de sonho para qualquer país, é vista com certa preocupação pelo governo chinês.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.