Outro dia em uma sala de espera de um consultório inevitavelmente ouvi a conversa de dois jovens – um deles está prestes a se formar em um curso de graduação, e falava sobre o Exame Nacional de Desenvolvimento Estudantil (Enade) que fará no dia 25 de novembro deste ano.

O jovem falava com tanto pesar a participação na avaliação, que o semblante dele parecia carregado com uma tonelada de aço. E de tão deprimente, acabei me induzindo a um momento nostálgico.

Quem dera na época da minha juventude pudesse ter tido a oportunidade de fazer uma graduação em tão tenra idade, já que tudo era mais difícil e distante para a maioria dos jovens que conseguiam concluir o 2º grau, atualmente denominado de Ensino Médio.

Concluir o ensino Superior era para poucos, pois não tinha tanta oferta e oportunidade quanto se tem hoje, começando pelo número de instituições de ensino, bolsas de estudos como o Prouni [Programa Universidade para Todos], Vale Universidade e Fies [Financiamento Estudantil], entre outros e que hoje só não estuda quem não quer.

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Naquela época, era necessário ingressar cedo no mercado de trabalho e qualquer tipo de curso custava uma fortuna, e isso acabava sendo uma oportunidade para poucas pessoas, normalmente apenas aos filhos de coronéis e alguns afortunados, o que não era o meu caso.

Mas em uma fração de segundos retornei àquele tempo e fiquei imaginando o quanto nos faziam orgulhosos passar por qualquer tipo de situação onde pudéssemos defender a escola, a família, o bairro ou até mesmo a rua onde morávamos.

Qualquer evento era rodeado de ‘pomposidade’ e de expectativas que tornavam o assunto do momento. Fiquei imaginando como seria se naquela época os estudantes pudessem ter a oportunidade de defender a sua instituição e o seu curso de graduação a nível nacional, como é o caso do Enade.

Não há a menor dúvida que por certo os estudantes colocariam a melhor roupa e engraxariam os sapatos surrados! Surrados, porque não tínhamos a infinidade de modelos que se tem no mercado para comercializar e nem mesmo dinheiro para comprá-los. Possivelmente, nem dormiriam na véspera para não correr o risco de perder a hora da prova. Esse momento seria esperado como algo mágico, como uma oportunidade ímpar.

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Com certeza depois da prova, os jovens se reuniriam para discutir os assuntos que haviam sido cobrados e as respostas pertinentes a cada questão. Se ainda persistissem as dúvidas, com certeza os professores seriam procurados e por algumas semanas essa prova seria discutida e estudada pela classe estudantil, pois na época não se tinha tantas oportunidades de aprendizado. Se quisesse saber um pouco mais, era necessário se debruçar sobre os poucos livros da biblioteca para aprofundar algum assunto que fosse interessante.

Infelizmente hoje, são tantas as formas de conhecimentos que se percebe a desvalorização de fatos tão importantes quanto o Enade.  Atualmente, as coisas são tão mais fáceis que a maioria dos jovens parece banalizar o que poderia ser carregado como um escudo de formação e qualificação profissional para ingressar no mercado de trabalho.

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Participar do Enade é defender o que você estudou. Mostrar tanto para a sociedade que você está apto para ser um profissional de sucesso, como para as empresas que você é a pessoa que vai fazer a diferença quando for contratado pela organização para demonstrar as suas habilidades e competências.

Ao fazer a prova, demonstre aos avaliadores que você vai fazer a diferença em uma geração que tem todas as ferramentas para conquistar e criar novos horizontes. Não subestime o poder que lhe é proporcionado nesse instante. O tempo passa rápido demais e pode ser que você não tenha outra chance de mostrar o quanto é capaz.

Então caro estudante, dê o melhor, faça o melhor porque você é o melhor, mas o mercado de trabalho precisa saber disso e só você pode confirmar isso fazendo uma ótima prova.

 

Luzia Félix da Silva

Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande

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