Park Geun-hye e Moon Jae-in disputam a presidência da Coreia do Sul (Foto: AFP)

A Coreia do Sul irá às urnas a partir da manhã desta quarta-feira (19) – fim da noite desta terça-feira (18) no Brasil – para eleger seu 18º presidente, que poderá ser pela primeira vez uma mulher, caso o resultado confirme as pesquisas eleitorais. Park Geun-hye, candidata do conservador Partido Saenuri e filha do ex-ditador Park Chung-hee, liderou quase toda a campanha, mas entrou na reta final com uma margem mínima de vantagem para o liberal Moon Jae-in, do Partido Democrático Unido.

Segundo pesquisas da Realmeter, Park, do mesmo partido do atual presidente, Lee Myung-bak, tinha nos últimos dias de campanha 48% das intenções de voto, contra 47,5% de Moon, sem considerar a margem de erro. Se for eleita, Park, de 60 anos, se tornará a primeira mulher a ocupar o principal cargo político da Coreia do Sul, desafiando estereótipos em uma nação liderada principalmente por homens.

Em um dos assuntos mais importantes para os sul-coreanos – as relações com a Coreia do Norte – Park tem uma vantagem ligeiramente maior. Segundo pesquisa do Instituto Asan, 44,8% dos sul-coreanos a acham mais capaz de lidar com os vizinhos, enquanto 40,6% preferem Moon. Outra pesquisa do instituto aponta que o lançamento de um foguete norte-coreano na última semana gerou um leve crescimento na preferência pela conservadora.

Nos 88 distritos de votação a apuração dos votos deve ser concluída entre 2h e 2h30 de quinta-feira (20) – no horário local (13h em Brasília).

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Nos últimos dias, os candidatos reforçaram a campanha em busca dos últimos votos dos indecisos em Seul. Nos últimos dias, Moon conseguiu uma sobrevida na campanha: o apoio do candidato independente Ahn Cheol-soo, que desistiu da campanha.

Park é vista no país como uma mulher forte e determinada que prosperou no difícil mundo político sul-coreano. Já seu principal rival, Moon, de 59 anos, é um advogado de direitos humanos que disse em sua campanha que tentará se reunir com o líder norte-coreano para tentar melhorar as relações entre os dois países, especialmente em relação às ambições nucleares.

A economia também foi uma das grandes questões da campanha. Na última semana, Moon anunciou planos para um pacote de empregos de US$ 18,6 bilhões, em uma tentativa de conseguir mais votos.

“Crescimento, estabilidade e democracia econômica começam nos empregos e são necessárias para os empregos”, disse Moon após anunciar o plano, que se sucede ao projeto do governo de gastar US$ 320 milhões no próximo ano, já submetido ao parlamento.

Um dia antes da eleição, Park relembrou a política econômica de seu pai para tentar ganhar confiança dos eleitores – uma mudança de abordagem, já que durante a campanha ela procurou se distanciar do legado, que justificava a repressão política em nome da segurança do país.

A candidata conservadora prometeu, em entrevista coletiva, recriar o conceito de “Vamos viver bem”, revertendo a situação de um país que, segundo ela, sofre com o grande endividamento dos cidadãos, o custo elevado de criar os filhos e a pobreza entre os idosos.

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Estatísticas mostram que as família sul-coreanas estão mais endividadas que as norte-americanas estavam no período que antecedeu à crise creditícia de 2008.

O governo de Park Chung-hee, pai da candidata, presidente entre 1961 e 1979, ajudou a transformar a atrasada Coreia do Sul, então devastada por uma guerra, em uma potência exportadora. Naquela época, uma canção baseada no lema “vamos viver bem” ecoava pelos alto-falantes no país todo, estimulando as pessoas a trabalharem por esse objetivo.

Críticas
Em um país onde as fortes tensões entre o Confucionismo e o Cristianismo fazem com que os homens ainda dominem a maior parte dos setores, a vitória de Park poderia representar uma vitória para as sul-coreanas.

Com 15 anos de experiência como legisladora e conhecida como a “rainha das pesquisas”, por conseguir melhorar a posição de seu partido nas intenções de voto, ela afirma ter entrado para a polícia para salvar seu país da devastadora crise financeira asiática de 1997-1998.

Mas sua herança política é forte: ela é filha do ex-ditador sul-coreano Park Chung-hee. A líder nas pesquisas nunca foi casada e não tem filhos, fatos de sua vida que foram destacados por seus concorrentes durante a campanha eleitoral.

“A candidata Park não tem nada de feminino. Ela nunca soube o que é dar à luz, cuidar dos filhos, se preocupar com educação ou com os preços no mercado”, disse um porta-voz do candidato de centro-esquerda, Moon Jae-in.

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Apesar de a Coreia do Sul ser a 14ª nação mais rica do mundo, e com um alto índice de mulheres nas universidades, ela está ranqueada apenas na 108ª posição entre 135 países no índice de paridade entre os gêneros do Fórum Econômico Mundial de 2012.

Em geral, as mulheres ganham 39% a menos que os homens. Apenas metade das sul-coreanas com diploma universitário estão no mercado de trabalho, em parte devido às políticas que discriminam as mães.

Mas Park, pelo menos segundo as promessas feitas durante sua campanha, não irá combater essas políticas agressivamente, nem fará grande diferença nas vidas das mulheres sul-coreanas, especialmente entre aquelas que precisam equilibrar trabalho e filhos.

Park já afirmou que seu mandato seria um “extraordinário início para quebrar o teto de vidro de nossa sociedade”. Seus críticos, entretanto, dizem que as afirmações não passam de retórica.

Ela já se retratou como sendo a “Margareth Thatcher sul-coreana”, referindo-se à dama de ferro que governou o Reino Unido nos anos 1980 e promoveu reformas econômicas, ou a “Angela Merkel asiática”, em alusão à chanceler alemã que é a líder da Europa mais poderosa atualmente.

Em contraste com a imagem de suas inspirações, a campanha de Park por vezes aparentou ter enterrado a imagem de que ela é uma mulher séria capaz de enfrentar uma economia difícil e lidar com a Coreia do Norte.

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