Eleitor registra seu voto em Kawasaki (Foto: Yuriko Nakao/Reuters)

Cerca de 100 milhões de japoneses irão escolher os 480 membros da Câmara Baixa japonesa, o equivalente à Câmara dos Deputados. São esses representantes que irão eleger o sétimo primeiro-ministro japonês em seis anos, em uma sessão especial no dia 26 de dezembro. A previsão é de que o processo dure até três dias.

É a primeira eleição nacional no país desde o terremoto e o tsunami de 2011. A crise nuclear causada pelos problemas na central de Fukushima e os problemas financeiros enfrentados pelo Japão nos últimos anos foram os temas centrais da campanha dos dois principais partidos, o Partido Democrático do Japão (PDJ), do atual primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, e o Partido Liberal Democrata (PLD), que tenta voltar ao poder.

O novo premiê terá o desafio de recuperar a economia, estabelecer uma nova política energética e continuar a reconstrução das zonas devastadas pelo terremoto e tsunami que assolaram o nordeste do país.

Eleição antecipada
As eleições nacionais japonesas ocorrem de quatro em quatro anos, a não ser que o premiê dissolva a câmara e convoque novas eleições, o que aconteceu este ano. A última eleição havia sido realizada em 2009, também após a dissolução da Câmara Baixa, feita pelo então primeiro-ministro Taro Asom do PLD.

Leia também:  Homem agride cruelmente duas mulheres com golpes de martelo na França

Na eleição de 2009, PDJ retirou o PLD do poder em uma eleição histórica, ganhando 308 das 480 vagas da Câmara Baixa, contra 119 do partido então no governo. Com as vagas obtidas por seus partidos aliados, a coalizão do PDJ conseguiu 320 deputados, contra 140 entre as alianças do PLD, transformado em oposição.

A decisão de dissolver a Câmara Baixa ocorreu após Noda, de 55 anos, acordar com a oposição a aprovação de várias medidas promovidas por seu gabinete – entre elas a reforma do sistema eleitoral para modificar o peso do voto das províncias e a emissão de novos bônus para financiar as atividades do Estado no atual exercício. Noda vinha perdendo apoio entre os deputados – como o Japão utiliza o sistema parlamentarista, é preciso ter maioria para ocupar o cargo.

Nos últimos seis anos, o país teve seis chefes de estado diferentes. O PDJ chegou ao poder pela primeira vez em 2009, prometendo um governo de políticos, e não de burocratas, com mais atenção aos interesses dos consumidores do que das corporações. Noda é o terceiro premiê do partido desde então, assumindo em 2011 após a demissão de Naoto Kan, que caiu depois de muitas críticas por sua atuação durante a tragédia provocada pelo terremoto e tsunami de março deste ano.

Leia também:  Imigrantes são encontrados mortos em embarcação na Itália

Como funciona

Os japoneses irão às urnas e depositarão dois votos: um escolhendo diretamente um representante de sua região para a Câmara Baixa e outro indicando o partido de sua preferência. Trezentos deputados serão eleitos pelo voto direto da população. Outros 180 são divididos entre os 11 blocos de distritos por representação proporcional, de acordo com o voto dos eleitores nos partidos.

Cada distrito tem direito a um número pré-determinado de representantes. A porcentagem de votos recebida pelo partido na votação determina a porcentagem dos 180 deputados ao qual ele terá direito. Cada partido já determina sua lista de deputados indicados para estes cargos antes da eleição. Também é comum que esses cargos sejam oferecidos a deputados que se candidataram pelo voto direto do eleitor e não tiveram sucesso.

Leia também:  Sobe para 34 o número de mortos pelo desabamento em prédio na Índia

Para sair vencedor e conseguir apontar seu candidato a primeiro-ministro, um partido precisa conseguir 241 lugares na representação. Por isso, muitas vezes são necessárias alianças entre um dos dois principais partidos com outro menores, para que a maioria possa ser alcançada.

A idade mínima para votar no Japão é de 20 anos; para se candidatar à Câmara Baixa, é preciso ter no mínimo 25 anos. Os eleitores devem comprovar residência há pelo menos três meses em sua região para conseguir depositar seu voto.

O Parlamento do Japão é composto de duas câmaras: a Baixa, a Câmara dos Deputados, e a Alta, que é a Câmara dos Conselheiros. A Baixa é a casa mais poderosa do parlamento, capaz de impor vetos às leis aprovadas pelos conselheiros com a votação de dois terços de seus representantes.

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.