Começar a prática de atividade física ainda na infância é a melhor forma de se chegar à fase adulta senão como um esportista, ao menos uma pessoa disposta a manter hábitos de vida saudáveis. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a atividade física é também uma forma de exercício social, que estimula a cidadania. Algo que eventos esportivos como Olimpíadas, Copa do Mundo, entre outros, contribuem, na medida em que despertam um número maior de interessados na prática dessas atividades e nos benefícios que elas oferecem.

A literatura médica é rica em estudos que comprovam o quanto um estilo de vida ativo diminui a incidência de várias doenças crônicas. Segundo um estudo norte-americano, quando se queima em média duas mil calorias por dia são reduzidas em até 65% as chances de aparecer doenças cardiovasculares. No entanto, é preciso que isso seja feito com responsabilidade e acompanhamento médico adequado, a fim de evitar problemas decorrentes da prática incorreta. Principalmente quando se é criança.

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Para a pediatra Maria Cecília Nigro Batistela, especialista em adolescência (hebiatra), de Rio Preto, além de uma avaliação clínica, o ideal é que o futuro esportista seja avaliado por um cardiologista. “Em especial se a família tiver antecedentes de cardiopatias, a fim de prevenir a ‘morte súbita’ que, eventualmente, acomete alguns atletas”, diz.

Faixa etária

A psicóloga Vanessa Cristina Bernardi, especialista em crianças, de Rio Preto, alerta para o risco quando a prática de exercícios se transforma em treinamento intenso e pressão para manutenção de baixo peso. Essas condições podem levar ao desenvolvimento de bulimia, anorexia nervosa, amenorreia e osteoporose entre atletas adolescentes.

Ela explica que determinadas práticas esportivas específicas não são recomendáveis antes de quatro a seis anos de idade. Nessa idade, é importante estimular o desenvolvimento das funções motoras, e as atividades recreativas e lúdicas, como correr, brincar, pular, chutar, arremessar, funcionam como incentivo para a socialização.

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Por outro lado, Vanessa observa que a partir dos seis anos a maioria das crianças já apresenta prontidão para o aprimoramento psicomotor, portanto, é o momento de iniciar o aprendizado básico de atividades esportivas individuais e coletivas. ”A escolha e o treinamento específico de um esporte deve se iniciar a partir dos dez anos, levando em consideração o interesse e a decisão pessoal da criança, as diferenciações de estatura, maturidade sexual, limites físicos e emocionais e as habilidades individuais. E a participação em competições deve iniciar a partir dos 12 a 14 anos de idade”, afirma.

Jovens mais sedentários

Uma pesquisa feita no Rio de Janeiro aponta para o fato de que cerca de 90 a 95% dos adolescentes estão sedentários. Isso porque, nesta fase, muitos estão mais interessados em tecnologia, ou seja, em ficar no computador, videogame ou TV. Somado a isso, também se identifica a falta de estímulo às práticas esportivas pelas escolas e familiares. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, já se constata que o incentivo à prática esportiva tem causado a diminuição do uso de drogas e a gravidez na adolescência.

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A hebiatra (pediatra especializada em adolescentes) Maria Cecília Nigro Batistela, de Rio Preto, observa que, nesta fase, em decorrência da “crise da adolescência”, geralmente os jovens abandonam as atividades físicas e perdem a coordenação motora. “Mas também há casos de uma cobrança individual, dos pais e social por desempenho, levando a um excesso de treino com consequentes lesões e estresse. São contraindicados para menores de 16 anos o boxe, levantamento de peso olímpico e fisiculturismo”, diz Maria Cecília.

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