Foto: reprodução

Saber nadar é algo importante. Não apenas por conta dos benefícios como atividade física (que aliás não são poucos), mas também por oferecer uma certa segurança, podendo evitar mortes por afogamento, como a que aconteceu em São Paulo e vitimou um bebê de 3 anos, em uma escola no bairro de Moema. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os afogamentos ocupavam o terceiro lugar (1.898), entre as causas externas de morte em crianças, e já subiram para a segunda colocação (609) entre os 10 e os 14 anos, em um levantamento realizado em 2001.

De lá para cá, segundo o Ministério da Saúde, o ranking subiu. Hoje, é a segunda causa geral de óbito entre 1 e 9 anos, e a 3ª causa nas faixas de 10 a 19 anos. Portanto, de acordo com profissionais da infância, quanto antes se puder proteger a vida das crianças oferecendo a elas oportunidade de aprender a nadar, melhor. Até porque, segundo a professora de educação física Maria Fernanda Lopes Ferreira, coordenadora de natação para crianças, de Rio Preto, quanto antes a criança aprende a nadar, mais chances de aumentar seus vínculos e o desenvolvimento cognitivo e motor.

Leia também:  Micro-ônibus cai em ribanceira com mais de 30 pessoas e deixa mortos e feridos em SP

A professora explica que o ambiente da água para o bebê remete ao meio líquido “quentinho” onde ele ficava na barriga da mãe durante a gestação. “Ali, ele é capaz de executar diversos movimentos natatórios, demonstrando uma série de reflexos”, diz. Ou seja, na aula de natação, além da água morna e o contato com os pais, os bebês também desenvolvem capacidades sensoriais como o tato, a audição, o olfato e a visão.

Avaliação

O médico especialista em afogamento e terapia intensiva David Szpilman, presidente da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), alerta que antes de iniciar qualquer atividade física, seja de caráter lúdico ou esportivo, é necessário fazer uma avaliação multidisciplinar (pediatra, endocrinologista, nutricionista, educador físico, entre outros) com o objetivo de evitar lesões, ou seja, minimizar os riscos de problemas para a criança. “E que esta avaliação seja realizada periodicamente por estes profissionais”, reforça.

Leia também:  Coordenadora é executada a tiros ao sair de estacionamento de escola

Segundo um estudo conduzido pelas fisioterapeutas Rosane Luzia de Souza Morais e Wellington Fabiano Gomes, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, apresentado à Revista de Fisioterapia da USP, o desenvolvimento humano envolve fatores biológicos e ambientais que interagem de forma dinâmica e complexa ao longo da vida.

Eles afirmam que o meio aquático pode oferecer diversos benefícios ao desenvolvimento infantil. No trabalho desenvolvido pelos pesquisadores com crianças de 0 a 18 meses, a principal observação foi a do desenvolvimento motor. Participaram do estudo 12 crianças de classe média com nível de escolaridade materna igual ou superior ao ensino médio completo. As crianças foram submetidas a uma avaliação antes e após um programa de estimulação aquática de 50 minutos por semana, durante quatro a oito semanas.

Leia também:  Sexo frequente turbina cérebro em maiores de 50 anos

Outros estudiosos do assunto, J.R.P. Fernandes e P.H.L. Costa, que publicaram na Revista Brasileira de Educação Física Esportiva o trabalho “Pedagogia da natação: um mergulho para além dos quatro estilos”, definem: “O meio líquido é um ambiente com várias possibilidades de ação e movimento”. Para os autores, a água é mais do que uma superfície de apoio e uma dimensão: é um espaço para emoções, aprendizados e relacionamentos com o outro, consigo e com a natureza. “Esse meio fornece ao indivíduo experiências e vivências novas e variadas, favorecendo a percepção sensorial e a ação motora.”

 

Advertisements

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.