Sheilla, sorridente e elegante na chegada ao Prêmio Brasil Olímpico (Foto: André Durão)

Aquela Sheilla decisiva, temida pelas adversárias, não parecia tão ameaçadora assim. Precisou de um tempo para se reencontrar. Em pleno ano olímpico, sofria com uma lesão no ombro, com a doença da avó e com o jogo que não fluía com a facilidade habitual.

Andava ainda mais calada do que de costume, com o olhar sem brilho, mas seguia trabalhando. Sabia que, em Londres, a seleção precisaria das bolas de segurança dela. No momento mais delicado da campanha, e exatamente diante das gigantes russas, Dani Lins procurou por Sheilla. A resposta veio com cinco match points salvos no tie-break, 27 pontos na conta e a certeza de que dali para frente tudo seria diferente. O sorriso voltou ao rosto da oposto . Aos de suas companheiras, também.

Sheilla estava de volta, o Brasil estava de volta e prontinho para defender o seu título. O bicampeonato veio, e o bom momento não pararia por ali. Ela ainda tinha outra disputa a ganhar. Fez campanha, pediu voto e foi eleita a melhor atleta do país em 2012, batendo Sarah Menezes e Yane Marques.

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Quem a viu subir linda no palco do Theatro Municipal, num vestido longo cor de rosa que só experimentou poucas horas antes da festa, não podia imaginar o quanto foi complicado para Sheilla chegar até ali. Não pelos pés, que não se sentiam tão à vontade se equilibrando em saltos altos, mas por toda a superação que foi preciso ter para fazer o que era esperado dela. O diagnóstico de câncer dado a Dona Therezinha tirou o chão da neta, que dedicou o Prêmio Brasil Olímpico a ela.

– Foi muito difícil para mim a primeira metade do ano. A família sempre se apoiou na minha avó e ela corria risco de vida grande. Primeiro não sabíamos se ela sobreviveria a cirurgia e depois veio a quimioterapia… Não vou chorar…

Chorou. Entre lágrimas e sorrisos, agradecia o fato de a avó ter visto a conquista da segunda medalha de ouro nas Olimpíadas e por continuar tão presente em sua vida. Agradecia também a ajuda das companheiras de seleção, que resolveram dar as mãos e superar o momento ruim durante os Jogos.

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– Eu sempre acreditei nesse ouro. As coisas não caminharam do jeito que a gente esperava, mas sabia que o grupo era mais do que aquilo. Acho que o momento mais difícil para mim foi o jogo contra a Coreia. Ali foi o fundo do poço. Não dormimos naquela noite e fizemos reuniões. Uma abriu o coração para a outra, uma confiou na outra e ali começou a virada. Então, se eu tivesse que dividir esse troféu que ganhei teria que distribuir um pedacinho para as 12 jogadoras, e também para a Mari, Fabíola, Juciely e Camila Brait, para a comissão técnica, para a minha família e meus fãs. Tudo dividido igualmente. Fizemos um trabalho muito legal em Londres.

Desde aquela final contra os Estados Unidos, Sheilla se expôs mais. Emprestou voz para reclamar das críticas que considerou desrespeitosas ao time. Resolveu deixar a timidez de lado para encarar as lentes do fotógrafo em poses sensuais. Se arriscou como apresentadora. Aos 29 anos, parece disposta a superar obstáculos. Está aprendendo a lidar com os elogios por sua beleza, pensando em ter mais tempo para pensar na vida pessoal. Dona de tantos títulos, e com apetite para mais, carrega com ela um desejo simples de boa mineira: casar, ter filhos e cuidar da família.

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– Mas isso, só quando conseguir frear um pouco o ritmo. Eu ainda quero muita coisa. Quero o título Mundial em 2014, quero o tricampeonato no Rio, em 2016. Se vai haver pressão por jogarmos em casa? Estamos acostumadas. Se vamos conseguir nos aguentar por mais um ciclo? Claro! O desgaste é normal, mas somos fortes para superar. Vale o tri! – riu.

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