Partidários e opositores do presidente se enfrentam no Cairo (Foto: Hassan Ammar/AP)

Tanques do Exército foram posicionados na manhã desta quinta-feira (6) diante do palácio presidencial no Cairo, após os confrontos entre adversários e partidários do presidente Mohamed Morsi que provocaram cinco mortes e deixaram 350 feridos na noite desta quarta-feira (5).

Quatro manifestantes foram mortos por disparos de armas de fogo na região do Palácio, no bairro de Heliópolis, informaram na madrugada desta quinta-feira o chefe dos serviços de segurança, Mohamed Soltane, e a agência oficial Mena.

A quinta vítima morreu no hospital Machiyet el-Bakri após receber um disparo de escopeta no peito, o diretor do centro médico, citado pela agência oficial Mena.

Pelo menos três tanques pesados e três veículos blindados estavam posicionados nas proximidades do complexo presidencial e em uma grande avenida próxima, no bairro residencial de Heliópolis, nesta quinta.

Centenas de partidários do presidente Mursi estavam nesta manhã diante do palácio.
Muitos deles, respondendo a uma convocação da Irmandade Muçulmana, a força política do presidente, passaram a noite no local, em barracas ou nas ruas.

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Na manhã desta quinta, a situação era calma nos arredores do palácio presidencial.

Os manifestantes gritavam frases favoráveis a Mursi e conversavam com os militares.

As ruas do bairro estavam repletas de pedras e pedaços de vidros, assim como vários carros danificados, após os confrontos da noite passada, os mais graves no Egito desde a posse de Mursi em junho.

A polícia de choque conseguiu estabelecer um cordão de isolamento entre os manifestantes dos dois lados diante do Palácio Presidencial, mas os confrontos aconteceram nas ruas adjacentes.

Milhares de partidários de Mursi haviam expulsado mais cedo os opositores que estavam diante do Palácio Presidencial, no segundo dia de manifestações sem precedentes desde a revolta de 2011, mas a multidão contrária ao presidente retornou ao local.

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Os partidários do presidente islamita, convocados a se manifestar pela Irmandade Muçulmana, jogaram pedras e obrigaram os opositores a abandonar o lugar, após a oposição mobilizar milhares de pessoas na terça-feira em frente ao Palácio, no bairro de Heliópolis, para denunciar a ampliação dos poderes de Mursi e o referendo sobre o projeto de Constituição.

Mohamed ElBaradei, chefe da Frente de Salvação Nacional (FSN), culpou Mohamed Mursi pelas hostilidades desta quarta-feira e disse que “o regime perde legitimidade dia após dia”.

“O presidente Mursi tem que ouvir ao povo, que tem uma voz clara e forte. Não há legitimidade na exclusão da maioria do povo, não há legitimidade no fato de deixar um grupo dominar o povo egípcio”, destacou ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e prêmio Nobel da Paz.

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Em Bruxelas, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, considerou que os distúrbios que acontecem atualmente demonstram a necessidade urgente de um diálogo entre as partes rivais.

Até então, os dois lados haviam se manifestado em locais e momentos diferentes, a dez dias de um polêmico referendo sobre o novo projeto de Constituição, que exacerbou as divisões no Egito.

O Egito enfrenta uma grave crise política desde 22 de novembro, quando Mursi assinou um decreto que amplia seus poderes e isenta o chefe de Estado do controle judicial.

A oposição, que denuncia o autoritarismo do governo, protesta ainda contra o projeto de nova Constituição, que deve ser submetido a um referendo em 15 de dezembro.

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