Menina homenageia vítima de estupro coletivo na Índia (Foto: Amit Dave/Reuters)

As Forças Armadas da Índia cancelaram as celebrações de Ano, refletindo o clima pesado em todo o país após o estupro seguido de assassinato de uma estudante, crime esse que provocou protesto internacional.

Clubes sofisticados, políticos e indianos comuns também cancelaram as festas em respeito à mulher de 23 anos que morreu no sábado após duas semanas do ataque brutal contra ela.

O ataque provocou protestos e um debate nacional que revelaram fissuras profundas na sociedade indiana, em que a visão patriarcal sobre as mulheres entra em confronto com uma cultura urbana em crescente modernização.

Autoridades reprimiram manifestações no coração de Nova Délhi antes do Natal, mas centenas de pessoas se juntaram para diversas vigílias na noite desta segunda-feira e mais eventos estavam planejados em Nova Délhi.

O Exército, a Marinha e a Aeronáutica receberam ordens para cancelar quaisquer festas, afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa.

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“Não há celebração de Ano Novo. (…) Haverá um tributo à luz de velas. (…) Depois disso, o clube será fechado”, disse o secretário do Delhi Golf Club, Rajiv Hora, no centro da cidade.

ONU pede debate sobre o caso
Também nesta segunda-feira, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu à Índia um debate urgente após a morte da estudante, acrescentando que ‘a pena de morte não é uma solução’.

Em um comunicado, Pillay expressou sua profunda tristeza por este crime terrível, mas afirmou que a pena de morte, pedida pela família da estudante de 23 anos, não é a solução.

Diante da “escalada de protestos e dos apelos à pena de morte”, a alta comissária pediu um debate urgente na Índia sobre as medidas necessárias para enfrentar os protestos.

Pillay espera que este caso terrível marque uma mudança na Índia, afirmando que a agressão da jovem estudante de Fisioterapia foi a última de uma série.

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“Em outubro, uma jovem de 16 anos Dalit (normalmente chamados de ‘intocáveis’), se suicidou depois de ter sido estuprada em Haryana, estado que registra um nível alarmante de violência sexual”, disse Pillay.

“Trata-se de um problema nacional que afeta mulheres de todas as classes e castas e que exige soluções nacionais”, acrescentou.

A alta comissária das Nações Unidas também se disse extremamente preocupada com o número de estupros de crianças na Índia. “É tempo de a Índia reforçar seu regime jurídico contra os estupros”, disse Pillay, propondo sua ajuda ao governo indiano.

O crime
O ataque de 16 de dezembro evidenciou uma epidemia de violência contra mulheres na Índia, onde um estupro é registrado em média a cada 20 minutos.

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Nesse dia, a jovem e seu namorado voltavam do cinema em um ônibus, onde seis homens, incluindo o motorista, a estupraram e agrediram sexualmente com uma barra de ferro para depois jogá-la para fora do veículo.

Seu namorado, um engenheiro de computação de 28 anos, também sofreu graves ferimentos depois de ter sido atacado e jogado na estrada.

Depois de ser tratada em um hospital de Nova Délhi, a jovem indiana foi transferida ao hospital Mount Elizabeth de Cingapura na quarta-feira à noite, onde os médicos não conseguiram impedir sua morte, certificada no início do sábado.

O corpo da vítima, de família pobre, foi cremado no domingo em Nova Délhi, segundo o ritual hindu.

Seus agressores enfrentam a pena de morte, que na Índia é executada com a forca, embora este país não costume aplicar este tipo de sentença.

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