Francesa francesa Florence Cassez deixou nesta quarta-feira (23) uma prisão do México, depois de a Suprema Corte ter ordenado sua “libertação absoluta e imediata” devido a irregularidades em seu processo judicial, que levou em 2005 a sua condenação a uma pena de 60 anos de prisão por sequestros.
Juízes da Suprema Corte do México diiscutem o recurso apresentado pela francesa Florence Cassez, condenado a 60 anos de prisão, na

“Florence está muito emocionada, está quase sem palavras, está com seu pai (…) Ainda terá que cumprir os trâmites migratórios” no aeroporto, disse seu advogado mexicano, Agustín Acosta, pouco antes de a francesa deixar a penitenciária.

Espera-se que a francesa embarque no voo AF439 da Air France rumo a Paris junto com seu pai, Bernard Cassez, para chegar por volta das 13h15 GMT (11h15 de Brasília) de quinta-feira (24) na capital francesa.

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Os magistrados consideraram que houve irregularidades registradas durante o processo de Cassez, a começar por uma montagem da televisão de sua suposta prisão “ao vivo”, junto com seu ex-noivo Israel Vallarta, em 9 de dezembro de 2005, quando na verdade ela tinha sido detida em uma estrada várias horas antes.

O presidente francês, François Hollande, saudou a decisão. Para os familiares de Cassez, “e para todos aqueles que se mobilizaram por nossa compatriota, é um período particularmente doloroso que termina”, afirmou.

“Estou louca de alegria (…) Minha filha lutou, ganhou sua liberdade”, declarou em Paris Charlotte Cassez, mãe de Florence, depois de receber um telefonema do presidente Hollande.

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O caso provocou em 2011 uma crise diplomática entre ambos os países, que causou o cancelamento por parte das autoridades mexicanas da celebração do Ano do México na França, depois de o então presidente Nicolas Sarkozy ter decidido se dedicar ao caso Cassez.

Mas houve quem lamentasse o desfecho da situação. “Sequestradora, assassina!”, gritava fora da prisão Michele Valdéz, cujo marido foi sequestrado e assassinado em 2005, segundo ela, pelo grupo criminoso Zodíaco, ao qual pertenceu Vallarta, ex-noivo de Florence Cassez.

Ezequiel Elizalde, suposta vítima de um sequestro cometido por Florence Cassez, disse: “Este país para mim não existe mais. Tudo isso foi uma porcaria, vou sair daqui”.

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Os ministros não podem achar que somos tão ignorantes, tão burros’, criticou Isabel Miranda, ex-candidata à Prefeitura da Cidade do México pelo Partido Ação Nacional e líder da ONG “Alto al Secuestro”. “Claro que houve pressões políticas” para libertar Cassez, acrescentou.

Para a francesa, presa desde 8 de dezembro de 2005, esta era a sua quinta tentativa de obter a liberdade, após três condenações na justiça comum em 2008, 2009 e 2011, e a uma indecisão por parte da Suprema Corte em 2012.

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