Folclórico e falastrão, Juan Pablo Montoya ficou famoso no Brasil pelos títulos na Fórmula Indy e pelos duelos com Michael Schumacher na Fórmula 1. Aos 37 anos, o colombiano – que atualmente compete nos ovais da Nascar – foi um dos responsáveis por levar o protótipo preparado por seu ex-patrão na Indy à vitória em uma das provas mais clássicas do automobilismo mundial. Pela quinta vez nos últimos dez anos, a Chip Ganassi Racing faturou as 24 Horas de Daytona, nos Estados Unidos. O brasileiro mais bem colocado entre os 17 que disputaram a prova foi Oswaldo Negri, que tentava a segunda vitória consecutiva. Já os dois Porsches da equipe brasileira que contava com Rubens Barrichello, Tony Kanaan e Ricardo Maurício ficaram pelo caminho, com problemas de motor.

Negri tinha consciência de que não seria fácil deter os carros da Chip Ganassi na tentativa de repetir a vitória que sua equipe, a Michael Shank Racing, havia conseguido em 2012. Ainda se recuperando de uma fratura no tornozelo e com muita dor, o brasileiro correu “no sacrifício”, e viu seu time ter problemas de suspensão ainda no início da prova, quando o norte-americano A.J. Allmendinger estava ao volante. Consciente de que ainda havia muito chão pela frente, a equipe não desistiu, e conseguiu descontar as sete voltas perdidas para terminar a prova na mesma volta do líder, em terceiro lugar.

“Há uma semana eu não sabia se poderia correr e hoje estar no pódio é fenomenal. Sabia que daria, que o carro estava bom. Estávamos sete voltas atrás, recuperamos as sete voltas e no fim da corrida ainda tínhamos chance de ganhar. É fenomenal. O ano que vem vai demorar muito para mim, eu queria que já fosse amanhã. Do início ao fim é uma grande emoção, e sou abençoado de estar aqui – disse o brasileiro, emocionado, após as 709 voltas de prova”.

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Apesar de impressionante, o desempenho do carro 60 não foi suficiente para alcançar os dois primeiros colocados, que travaram um duelo espetacular, marcado pelo suspense nas voltas finais. Tanto o protótipo BMW Riley 01 guiado por Montoya quanto o Corvette número 10 – do trio Max Angelelli, Jordan Taylor e do atual campeão da Indy, Ryan Hunter-Reay – precisaram abastecer a menos de dez minutos da bandeirada, deixando a corrida em aberto até o fim. Líder, Montoya imprimia um ritmo muito forte e foi o primeiro a parar, faltando quatro voltas, e caiu para segundo. Duas voltas depois, foi a vez de Angelelli fazer seu pit stop, cedendo novamente a primeira posição ao rival. Após 24 horas de prova, o colombiano cruzou a linha de chegada com pouco mais de 20 segundos de vantagem para comemorar sua terceira conquista nesta corrida.

– O fim da corrida foi muito mais difícil do que esperávamos, com tantas relargadas, mas estou muito contente com o resultado. Sem dúvida, uma vitória como essa nos deixa esperançosos para a temporada da Nascar – afirmou o colombiano. Nesta edição das 24 Horas de Daytona, ele guiou em parceria com o mexicano Memo Rojas e os norte-americanos Charlie Kimball e Scott Pruett, sendo que este último chegou à quinta vitória na prova, igualando-se ao recordista Hurley Haywood.

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Outro time favorito à vitória – formado pelo português João Barbosa, o norte-americano Brian Frisselle e os brasileiros Christian Fittipaldi, Nelsinho Piquet e Felipe Nasr – teve problemas no período noturno, quando a temperatura baixou dos 25 graus centígrados para apenas oito, dificultando a aderência dos carros. Ao deixar os boxes com os pneus ainda frios, Nelsinho bateu no muro de saída dos boxes, danificando a suspensão. Com isso, a equipe perdeu cerca de 20 voltas para consertar os danos, mas ainda assim terminou na oitava posição, a 21 voltas do vencedor. O carro 42, no qual estava inscrito o mineiro Bruno Junqueira, apresentou problemas mecânicos e ficou em 21º na classificação geral, nono na classe DP (Daytona Protótipos), a 45 voltas do primeiro colocado.

Briga boa também na GT

A luta pela vitória na classe GT, para carros esportivos de série limitada, também foi de tirar o fôlego. Nada menos que seis carros terminaram na mesma volta do vencedor, e o final da corrida teve um suspense semelhante ao da DP, também devido à necessidade de reabastecimento. A vitória ficou com o Audi R8 número 24 guiado por Filipe Albuquerque, Dion Von Moltke, Olivier Jarvis e Edoardo Mortara. O quarteto chegou apenas um segundo e meio à frente de outro Audi, o de número 52.

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Apenas um carro dos três brasileiros inscritos na prova chegou ao fim da corrida: a Ferrari 458 número 64, guiada por Rafa Matos, Xandinho Negrão e Daniel Serra, todos da Stock Car, e Chico Longo, um especialista em corridas de endurance. O carro teve problemas mecânicos na 16ª hora de prova, perdendo muito tempo nos boxes para a troca do câmbio e do diferencial. Mesmo assim terminou em 38º no gral, sendo 24º em sua classe. A parada forçada aconteceu pouco antes da aparição de uma intensa neblina, que provocou a entrada do carro de segurança por quase duas horas durante o amanhecer.

Quem não teve um final feliz na maratona de velocidade deste fim de semana foi o time brasileiro que contava com dois modelos Porsche 911 GT3. Os dois carros apresentaram problemas no motor e quebraram por volta da metade de prova, cerca de 4h da madrugada no horário local, deixando a pé os pilotos Rubens Barrichello (recordista de GPs na F-1), Tony Kanaan (campeão da Indy em 2004), Felipe Giaffone (ex-piloto da Indy e tricampeão da F-Truck), Nonô Figueiredo (piloto em atividade com o maior número de largadas na Stock Car), Ricardo Maurício (campeão da Stock em 2008), além de Clemente Lunardi, Constantino Júnior e Marcel Visconde, alguns dos principais pilotos da história da Copa Porsche no Brasil.

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