Um total de 450 crianças e adolescentes vítimas de crimes, a maioria abuso sexual, recebeu acolhimento na Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, em 2012. As vítimas passaram por entrevistas com a equipe multidisciplinar, que auxilia no processo de coleta de informações para as investigações da unidade policial.

Em 2012, a equipe multidisciplinar, composta por um psicólogo, uma assistente social e uma pedagoga, realizou 814 atendimentos a crianças, adolescentes, pais e responsáveis. Por natureza, a equipe conversou com 185 vítimas de suposto estupro de vulnerável; 6 estupros; 66 por maus tratos ou negligência; 58 lesão corporal, entre outros casos denunciados à Delegacia. Além do atendimento de 329 pais ou responsáveis.

Com apoio dos relatórios elaborados, 26 agressores tiveram autoria confirmada em violência cometida contra criança, mais da metade, crimes sexuais. As prisões foram efetuadas em 2012, em investigações conduzidas pela Deddica, que também finalizou o procedimento de 60 homens presos em flagrantes lavrados no plantão da Capital, totalizando 86 presos ao logo de 2012.

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A unidade também instaurou 619 inquéritos policiais contra 419 no ano de 2011, além da formalização de 220 termos circunstanciados de ocorrências e abertura de 195 verificações preliminares, de denúncias que chegaram à delegacia.

Para a delegada titular da Deddica, Alexandra Fachone, as investigações de violência contra crianças e adolescentes são munidas de cuidados e por isso acabam sendo também mais demoradas. São feitos estudos psicossociais, laudos periciais e depoimentos de testemunhas, para que não haja dúvidas da prática do crime e o Ministério Público possa oferecer a denúncia com toda a convicção da autoria. “Quando se trata de criança, o inquérito é mais complexo, precisa de muitos documentos”, declara.

De acordo com a delegada, a violência sexual sempre vem acompanhada de ameaças e lesão corporal, com maior intimidação da vítima que acaba sofrendo calada. “O abuso não acontece de forma isolada, são condutas reiteradas que começam com toques e vai progredindo para contatos mais íntimos”, afirma.

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A delegada alerta para as denúncias infundadas feitas com intuito particular de prejudicar vizinhos, esposas e companheiros. “São crimes graves que não podem ser deixados de apurar. Recebemos muitas denúncias inverídicas e gastamos muito tempo averiguando uma informação grave que é infundada”, afirma Fachone.

Todas as vítimas de violência que chegam à Deddica recebem o acolhimento da equipe multidisciplinar. Os profissionais são responsáveis por ajudar os policiais no esclarecimento da agressão sofrida. A equipe, após o atendimento sem traumas, faz o encaminhamento da vítima para o Hospital Universitário Júlio Muller, quando preciso, e unidades que possam dar continuidade ao atendimento realizado na Delegacia, tanto para a vítima quanto para família. Quando a criança está fora da escola o encaminhamento também é realizado.

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Conforme o psicólogo João Henrique Arantes e a assistente social, Adriana Mendes dos Santos Guedes, a prioridade do atendimento são crianças até 12 anos, principalmente vítimas de crimes sexuais. “A gente recebe a criança sempre acompanhada de um familiar e a conversa acontece em separado, em ambiente lúdico, na sala de brinquedos”, explica o psicólogo João Henrique.

“A gente parte do pressuposto de que a criança não mente. Sua reação é verdadeira”, completa a assistente social Adriana Mendes.

De acordo com os profissionais, a abordagem é cuidadosa. Começa de forma indireta até o aprofundamento do assunto. “A criança sabe que está num ambiente diferente. É muito comum ela falar espontaneamente porque sabe que está em um lugar seguro”, afirma o psicólogo.

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