A nova fase do Plano Nacional de Fronteiras prevê infiltração em quadrilhas internacionais de tráfico e uso de tecnologia, como cinco caminhões capazes de escanear carros em movimento.

Os caminhões escâner já estão em uso pela Polícia Rodoviária Federal. A licitação foi feita no meio de 2012 e vencida por uma empresa norte-americana pelo valor de R$ 12,9 milhões.

Em formato baú e sem identificação, o caminhão passa ao lado de veículos e produz imagens em raio-x, na tentativa de rastrear drogas, armas e contrabando escondidos nas carrocerias.

Governos estaduais costumam apontar a fragilidade das fronteiras do país –que são de responsabilidade federal– como razão para a entrada de drogas e armas em seus territórios.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), chegou a declarar, em novembro passado, que “o problema é a falta de um plano federal para impedir a entrada de armas e drogas pelas fronteiras. Se não fechar, o problema vai continuar”.

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Anteriormente, os escâneres utilizados no Brasil contavam com uma espécie de braço. As imagens só eram obtidas quando os veículos passavam por baixo dele, o que, segundo policiais, retirava o fator surpresa.

Algumas concorrentes do edital criticaram o escâner, sob argumento de que, em algumas ocasiões, ele não tem precisão. Segundo o Ministério da Justiça, em dez dias de utilização em Mato Grosso do Sul, o escâner foi usado na apreensão de 406 kg de cocaína e 106 kg de maconha.

REFORÇO NA FRONTEIRA

Além das novas tecnologias, o Ministério da Justiça autorizou o deslocamento de 618 novos policiais federais e 700 policiais rodoviários para a região de fronteira.

Pelo planejamento, até o ano que vem, serão 388 novas residências (244 para policiais federais e 144 para policiais rodoviários federais) em municípios de fronteiras.

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Com a chegada de novos policiais, a Polícia Federal prevê deslocar cerca de 65% do efetivo para atuar na área de inteligência.

Agentes mais experientes serão infiltrados nas quadrilhas, além de fazer investigações de campo.

Para o Ministério da Justiça, a parte ostensiva do combate deverá ficar com a Força Nacional e a Polícia Rodoviária Federal. A PF deverá fazer apenas investigações de inteligência.

No ano passado, os policiais de fronteira receberam 15 lanchas e 82 equipamentos de visão noturna.

“É preciso investir na parte ostensiva, mas os resultados mais profundos são obtidos com tecnologia e trabalho de inteligência”, diz a secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki. Para ela, é preciso coordenar diferentes forças policiais.

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O ministério descobriu que até 2012 policiais de diferentes Estados não tinham rádios capazes de se comunicarem. Ou seja, se um procurado ultrapassasse a fronteira estadual, a comunicação policial era prejudicada.

Para isso, a pasta abriu licitação para comprar equipamentos de comunicação integrada entre Estados.

No final de 2012, a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) articulou a primeira ação conjunta de policias dos 11 Estados de fronteira (AC, AP, AM, MT, MS, RO, RR, PA, PR, RS e SC).

Entre janeiro e outubro do ano passado, as operações ostensivas realizadas nas fronteiras do país resultaram na apreensão de 92 toneladas de drogas e abordagem de 229,5 mil pessoas, com 15.794 prisões em flagrante.

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