Homens recuperaram manuscritos antigos queimados no Centro de Documentação e Pesquisa em Timbuktu (Foto: AFP PHOTO / ERIC FEFERBERG )
Homens recuperaram manuscritos antigos queimados no Centro de Documentação e Pesquisa em Timbuktu (Foto: AFP PHOTO / ERIC FEFERBERG )

A França pediu nesta quarta-feira (30) que Bamako, capital do Mali dialogue com as populações do norte do país, no momento em que seus soldados ocupavam Kidal, última grande cidade da região sob controle de grupos armados.

Soldados franceses assumiram durante a noite o controle do aeroporto de Kidal, a 1.500 km de Bamaco, após a retomada, ao lado do Exército malinense e sem grande resistência, das duas maiores cidades do norte do Mali, Gao e Timbuktu, que estavam em poder de grupos islamitas armados.

A situação é diferente em Kidal: a cidade não está nas mãos de jihadistas ligados à Al-Qaeda, mas nas de dissidentes islamitas do Movimento Islâmico de Azawad (MIA) e autonomistas tuaregues do Movimento Nacional pela Libertação de Azawad (MNLA).

“Estamos em uma situação particular em Kidal e procedemos de forma a mantermos boas relações com os tuaregues”, ressaltou em Paris o ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian.

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“Tanto o MIA como o MNLA deram mostras de seus compromissos em cooperar com a França, depois que as forças francesas entraram em Kidal sem dar um tiro. Isso prova que Kidal não é um santuário para terroristas”, segundo o MIA, grupo gerado após uma divisão recente no Ansar Dine (Defensores do Islã), grupo islamita aliado à Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (Aqmi).

Segundo um fonte malinense, os principais líderes dos grupos islamitas, entre eles Ag Ghaly e o argelino Abu Zeid, um dos emires da Aqmi, se refugiaram no maciço de Ifoghas, nas montanhas ao norte de Kidal, perto da fronteira argelina.

Em todas as cidades reconquistadas, os soldados franceses tomaram o cuidado de sempre aparecer ao lado dos militares malinenses, a quem deixaram a função de patrulhar as ruas.

Mas em Kidal, o MIA e o MNLA expressaram sua hostilidade em relação à presença dos soldados do Mali, por temerem abusos contra as comunidades árabe e tuaregue.

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Em Timbuktu, no dia seguinte à entrada dos soldados franceses e malinenses, centenas de pessoas, visivelmente muito pobres, saquearam lojas que, segundo elas, pertencem a árabes, argelinos e mauritanos acusados de terem apoiado os insurgentes islamitas vinculados à Al-Qaeda.

Tensões interétnicas
Diante do “risco de abusos” e represálias, o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, pediu “o envio rápido de observadores internacionais’ para assegurar ‘o respeito aos direitos humanos”.

Washington fez eco ‘aos apelos lançados pelos malinenses e franceses exortando os cidadãos malinenses a não agirem em represália contra os tuaregues ou contra outras minorias étnicas’, segundo a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

A situação também se complica no plano humanitário em Timbuktu, onde os habitantes se queixam do aumento do preço dos alimentos. O Exército do Mali prossegue com as operações, em busca de minas e armas abandonadas pelos islamitas, mas também por eventuais combatentes que ficaram na cidade.

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Em Adis Abeba, os países participantes da conferência sobre o Mali se comprometeram a contribuir com 455 milhões de dólares para financiar a força militar africana e a ajuda humanitária.

Ainda nesta quarta, o ministro alemão da Defesa, Thomas de Maizière, indicou que a Alemanha está preparada para ajudar com o abastecimento dos aviões franceses no Mali. Os deputados alemães devem se pronunciar sobre a questão, provavelmente em março, segundo ele.

A Alemanha mobilizou até o momento três aviões do tipo Transall para seu apoio logístico à operação militar francesa.

No total, cerca de 8.000 soldados africanos devem ser mobilizados no Mali em apoio às forças malinenses e assumir a posição do Exército francês, mas eles têm chegado apenas em pequenos números, com o seu deslocamento comprometido por problemas de financiamento e logísticos.

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