A tripulação do Mars500, que simulou uma viagem de ida e volta a Marte (Foto: Divulgação/IBMP)

Primeiras análises sobre o experimento Mars500, parceria entre as agências europeia (ESA), russa (Roscosmos) e chinesa (CSNA) que simulou as condições de uma viagem de humanos a Marte, apontam que os seis voluntários que se passaram por astronautas sofreram com distúrbios no sono e no humor durante a experiência.

Tais fatores poderiam, em uma viagem real, atrapalhar capacidade mentais e ocasionar falhas humanas que colocariam em risco a missão espacial. Os dados, os primeiros a respeito da missão, foram divulgados nesta segunda-feira (7) no periódico científico da Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos, a “PNAS”.

Iniciada em 3 de junho de 2010, a missão Mars500 terminou em 4 de novembro de 2011. Equipes médicas analisaram as condições fisiológicas de seis voluntários que se confinaram em instalações de apenas 550 metros cúbicos do Instituto de Problemas Biomédicos da Federação Russa, em Moscou.

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Foram três fases principais: a simulação da viagem de ida (que levaria cerca de 250 dias), da chegada e descida em Marte (30 dias) e da viagem de volta (240 dias). A missão simulada envolveu mais de 90 experiências e cenários realistas, com o objetivo de analisar dados psicológicos e médicos sobre os efeitos de um voo espacial de longa duração.

Segundo o estudo, durante os três primeiros meses da viagem, a maioria dos tripulantes reduziu acentuadamente suas atividades, gastando mais tempo dormindo ou descansando. O estudo descreve um aumento do “sedentarismo” e o surgimento de um comportamento sonolento durante boa parte da missão. Os voluntários da missão Mars500 também sofreram alterações cardíacas e alterações na regulação do “relógio biológico”.

A investigação científica apontou que o distúrbio do sono teve efeitos diferentes em cada tripulante. Cinco dos seis astronautas aumentaram as horas de sono, o que pode ter colaborado na evolução de habilidades durante os testes de atenção.

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No entanto, um dos voluntários passou a dormir menos e sofreu de insônia crônica — com sinais de depressão — o que atrapalhou sua capacidade durante o experimento. De acordo com Mathias Basner, médico e pesquisador da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, este tripulante foi responsável pela maioria das falhas obtidas em testes.

Em comunicado divulgado nesta segunda, Basner afirma que em uma missão real, este tipo de erro humano poderia causar problemas que comprometeriam a missão.

Ainda segundo o estudo, os sintomas observados na tripulação da Mars500 assemelham-se ao de pessoas que ficaram enclausuradas em uma base militar da Antártica durante o inverno e têm semelhanças a sensações de animais que vivem em climas de inverno e com pouca luz.

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De acordo com a pesquisa, a falta de luz natural e a iluminação artificial em excesso poderia explicar alguns dos problemas detectados na tripulação. Uma das possíveis soluções apontadas pelos cientistas é adaptar o local onde a tripulação está ao habitat terrestre com a ajuda de uma tecnologia que reproduzisse os ritmos de vida da Terra.

Experimento
Mais de 6 mil pessoas de 40 países se candidataram para participar do projeto. No fim, os escolhidos foram o cirurgião russo Sukhrob Kamolov, o engenheiro francês Romain Charles, o médico russo Alexandr Smoleevskyi, o engenheiro ítalo-colombiano Diego Urbina, o instrutor de astronautas chinês Wang Yue e o engenheiro russo Alexey Sitev, comandante da missão.

Smoleevskyi, Urbina e Yue simularam também uma visita à superfície do planeta. Durante uma caminhada espacial, Urbina fingiu ter machucado a perna em uma pedra para testar o atendimento médico interplanetário de Smoleevski.

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