Manifestante se prepara para atirar bomba de gás lacrimogênio durante confornto no Cairo (Foto: Mohammed Abed/AFP)
Manifestante se prepara para atirar bomba de gás lacrimogênio durante confornto no Cairo (Foto: Mohammed Abed/AFP)

Sete pessoas morreram em confrontos entre manifestantes contrários ao governo islamita e forças de ordem no Egito, no momento em que o país lembra o segundo aniversário do início do levante – o “Dia da Revolução” – que derrubou Hosni Mubarak.

Segundo o Ministério da Saúde, sete pessoas morreram nesta sexta – seis em Suez e uma em Ismailiya – e 456 ficaram feridas.

Unidades do Exército egípcio foram mobilizadas na noite desta sexta em Suez, na entrada sul do canal de mesmo nome, depois das manifestações.

Soldados e blindados leves foram mobilizados em torno de edifícios públicos, como o quartel da polícia municipal e a sede do Governo, de acordo com as fontes.

O presidente islamita Mohamed Morsi fez um apelo nesta sexta para que os egípcios “rejeitem a violência”.

“Peço a todos os cidadãos que aderiram aos nobres valores da revolução que manifestem livre e pacificamente suas opiniões e rejeitem a violência”, indicou em mensagens postadas em suas contas no Twitter e no Facebook.

Mursi afirmou que os “criminosos” responsáveis pela violência serão “processados e levados à justiça”, e afirmou que policiais estão entre os mortos.

“Os poderes públicos vão fazer todo o possível para garantir o caráter pacífico das manifestações”, acrescentou o chefe de Estado egípcio.

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Durante os confrontos, as forças de ordem usaram bombas de gás lacrimogênio em várias cidades, incluindo em Cairo e Alexandria (norte).

Crise
O Egito vive uma crise entre o presidente Morsi, eleito democraticamente em junho, e a oposição, que o acusa de adotar medidas autoritárias. O contexto é agravado por grandes dificuldades econômicas.

Confrontos esporádicos entre grupos de jovens e forças de ordem foram registrados durante todo o dia nas imediações da Praça Tahrir, no centro do Cairo, onde milhares de pessoas exigem uma “verdadeira democracia”.

Uma enorme faixa era exibida na praça com a inscrição “O povo quer derrubar o regime”, enquanto a multidão gritava “Fora, fora!” para Mursi, assim como fizeram para Mubarak há dois anos.

“Vim porque não fizemos a revolução para que um grupo corrupto substitua outro, disse Maha Kamal, uma manifestante de 40 anos, usando um véu vermelho e agitando uma bandeira egípcia.

Manifestantes também jogaram pedras contra um prédio que abriga escritórios do site da Irmandade Muçulmana, grupo ao qual Mursi é ligado. Outros foram ao palácio presidencial, onde a polícia tentou dispersá-los com bombas e gás lacrimogênio.

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Egípcios também atacaram várias estações de metrô no Cairo, tumultuando o trânsito.

No centro de Alexandria, havia muita fumaça por causa dos pneus queimados. E havia pessoas no chão que não conseguiam respirar por causa do gás lacrimogênio, disse à AFP Racha, moradora da cidade.
Manifestantes mascarados bloqueiam os trilhos de bonde em Alexandria, no Egito. Manifestantes se reuniram para comemorar o segundo

‘Os Egípcios estão fartos’
Em Ismailiya (nordeste), manifestantes incendiaram a sede local do Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ), formação política da Irmandade Muçulmana, e invadiram a sede do governo.

Prédios públicos também foram atacados em Damiette (norte) e em Kafr el-Sheikh (delta do Nilo).

“Vai ser um longo dia (…) porque os egípcios estão fartos”, previu Mohamed Abdullah, um manifestante do Cairo. ‘O Egito precisa de uma nova revolução para os jovens e por uma verdadeira democracia’, afirmou um outro manifestante da capital, Chawki Ahmed, de 65 anos.

A oposição, composta por movimentos de esquerda e liberais, em sua maioria, e que mantém uma unidade ainda precária, havia convocado um protesto retomando as palavras de ordem de dois anos atrás: “Pão, liberdade, justiça social”.

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O clima ficou mais tenso depois de novembro, quando Mursi assumiu temporariamente poderes excepcionais, e depois fez com que fosse aprovada uma Constituição redigida por uma comissão em que os islamitas predominavam.

O texto, adotado por referendo em dezembro, continua a ser fortemente criticado pela oposição, que considera que abre caminho para uma islamização crescente do país e ameaça algumas liberdades.

Na quinta à noite, Mursi pediu que os seus compatriotas celebrassem “de maneira pacífica e civilizada” este dia decretado “Dia da Revolução”, em referência ao levante iniciado em 25 de janeiro de 2011.

A Irmandade Muçulmana não convocou oficialmente manifestações para esta sexta, preferindo lembrar esse evento com iniciativas sociais e de caridade.

O ambiente ficou mais pesado com o anúncio aguardado para sábado do veredicto no processo dos supostos responsáveis pela morte de 74 pessoas após uma partida de futebol em Port Said (nordeste), em fevereiro de 2012.

Os torcedores do clube cairota do Al-Ahly, que afirmam ter sido atacados, ameaçam realizar manifestações violentas e uma “nova revolução” caso não consigam justiça.

Doente e condenado à prisão perpétua, Mubarak, de 84 anos, aguarda um novo julgamento.

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