Estamos na segunda década dos realitys shows, programas de televisão que mostram, ou tentam mostrar, a vida ou as pessoas como elas são. A proposta é invadir a privacidade de alguns grupos e com isso ganhar a audiência de um público ansioso por espetáculo. Não se trata de exposição, mas de dar visibilidade a comportamentos que normalmente não acontecem em público.

O interessante é que depois de uma semana de programa, ou menos, alguns participantes já se tornam celebridade. Quando pensamos que o lançamento de um produto de consumo, normalmente leva meses ou anos para acontecer, neste caso o produto “gente” é lançado e quase que instantaneamente conquista o mercado. Lógico que as pessoas não estão à venda, mas a visibilidade que conquistam é tamanha, que elas sim, passam a vender produtos.

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O Brasil é o quinto maior mercado em potencialidade no setor publicitário. As maiores agências de comunicação do mundo, também estão no Brasil. Isto vem confirmar que, os brasileiros estão abertos a novos produtos e ao consumo. Diante de indicadores sinalizando que está havendo a tão sonhada mobilidade social no País, esta abertura para o mercado de consumo se enquadra perfeitamente à proposta dos realitys shows.

A explicação para o sucesso de alguns tipos e a rejeição para outros não é fácil. Estamos vivendo um momento social, onde a Teoria dos Vínculos (as diversas áreas do conhecimento se interligam), isto quer dizer que uma força tarefa é acionada para que tal perfil se projete e faça sucesso. Seria a visibilidade maior de uns a razão para o destaque e a conquista de público? Talvez, mas o que realmente conta é que todos estão visíveis e somente poucos se tornam realmente celebridade, ou visíveis ao olhar da mídia total. E daí para ganhar dinheiro e fama vendendo produtos, é um passo.

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Analisando o quadro apresentado concluímos que a propaganda ainda é o negócio. Quer seja um produto fabricado pelo homem ou modelos interpretados por pessoas em exposição, esta é a era da disponibilidade. A partir do momento em que estamos disponíveis pode acontecer a grande virada. Que o digam as redes sociais, onde todos confabulam e revelam seus pensamentos mais normais. A privacidade deu lugar à exposição e com ela trouxe a visibilidade, palavra chave para o sucesso e o consumo.

* Célia Franzoloso, professora e coordenadora do curso de Comunicação Social – habilitação em Publicidade e Propaganda do Centro Universitário anhanguera de Campo Grande

 

 

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