A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa criada para investigar a relação de políticos goianos com o esquema de Carlos Cachoeira, além dos contratos da empreiteira Delta com prefeituras goianas, já tem data para dar seu último suspiro: 5 de março. Depois de nove meses de trabalhos, diversas reuniões e com uma infinidade de informações coletadas, a comissão chega ao final sem apresentar respostas à população.

O fim dos trabalhos marca a segunda comissão enterrada sem indiciados ou pedidos maiores de investigação. A CPI do Cachoeira no Congresso Nacional foi finalizada no dia 18 de dezembro do ano passado sem sequer um relatório consolidado, apenas um “alternativo” de duas páginas que apenas encaminhou conclusões à Polícia Federal e ao Ministério Público.

A decisão de enterrar a CPI da Assembleia foi tomada ontem por seus membros sob a justificativa de que, proibida por decisão liminar do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) de investigar contratos da Delta com as prefeituras de Goiânia, Aparecida, Anápolis e Catalão, a comissão teria ficado prejudicada.

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A CPI foi iniciada em maio do ano passado com foco na investigação dos contratos das empresas Delta e Gerplan com prefeituras goianas, no período de 1995 a 2012. Com quatro meses de duração, convocou 19 pessoas, entre políticos, empresários e servidores públicos, para depor. Solicitou documentos dos contratos e das empresas às prefeituras, à Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), aos Tribunais de Contas do Estado (TCE) e dos Municípios (TCM) e quebras de sigilos bancários, fiscais e telefônicos de políticos envolvidos em denúncias de irregularidade ou que supostamente tinham relação com Carlos Cachoeira. Os contratos da Delta com o governo estadual não foram alvo das investigações na CPI e personagens importantes não chegaram a ser ouvidos pela comissão.

Depois de todo o trabalho, impedidos de continuar investigando as prefeituras, a maioria de oposição ao governo estadual, na época, os membros da CPI decidiram por encerrar as atividades, mesmo sem decisão final do TJ-GO. Relator da comissão, o deputado Talles Barreto (PTB), membro da bancada do governo, deve apresentar o relatório aos deputados no próximo dia 26 e colocá-lo em votação em 5 de março.

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De acordo com o deputado, um esboço do relatório já está encaminhado e, baseado nos depoimentos colhidos durante os meses de trabalho, o texto deverá sugerir a condenação de Carlos Cachoeira e apontar indícios de corrupção nas Polícias Civil e Militar. “Vamos encaminhar o relatório ao Ministério Público Estadual e também à Secretaria de Segurança Pública, para que o combate à contravenção seja prioridade em nosso Estado”, adiantou o relator da CPI. Segundo ele, a comissão “começou de trás para frente”. “A Operação Monte Carlo já apurou aquilo que deveria ser apurado”, disse. “Quanto ao Carlos Cachoeira, este já sofrerá as sanções na esfera federal”, declarou, justificando que a continuidade da CPI não teria mais sentido.

De acordo com o deputado, os integrantes da CPI ainda devem avaliar se novos nomes, além dos já condenados na Operação Monte Carlo, serão indicados para indiciamento do Ministério Público Estadual. “Todo mundo já foi inclusive condenado. Não sei se haverá outras indicações, vamos avaliar”, informou.

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Em outubro, quando o TJ-GO já havia proibido a investigação das prefeituras e as atividades da CPI já estavam suspensas, Barreto havia comentado que o relatório já estaria sendo finalizado, e que deveria indicar ao MP o indiciamento de figuras ligadas às prefeituras de Goiânia, Catalão e Anápolis. “Se não podemos investigar, vamos dar indícios do que conseguimos apurar sobre as relações das prefeituras com a construtora Delta para o Ministério Público investigar. Nós sabemos que um exemplo muito forte é o da Prefeitura de Goiânia, que teve contrato aditivado mais de nove vezes”, comentou o deputado na época.

A avaliação da oposição é de que, com a finalização da CPI que tratava da Operação Monte Carlo no Congresso Nacional, a comissão da Assembleia, que também teria motivação política, deixou de fazer sentido para o governo. “Ela foi usada mais na tentativa de investigar opositores do governo do que as relações de Carlos Cachoeira com autoridades”, disse uma fonte.

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