Com cinco empresas dominando 90% da distribuição de gás de cozinha no Brasil, sempre pairou sobre o setor a suspeita de que as elevações de preços não fossem resultado apenas de aumentos de custos. Agora, um relatório da Agência Nacional do Petróleo (ANP) admite que a concentração extremamente elevada desse mercado torna-o “bastante propício à coordenação tácita dos agentes regulados”. Em outras palavras, há risco de cartelização.

A possibilidade de formação de cartel é aventada no boletim “Evolução do Mercado de Combustíveis e Derivados: 2000-2012”. Nele, a agência reguladora aponta que, apesar de os preços do gás de cozinha em botijão de 13 quilos estarem congelados nas refinarias desde janeiro de 2003 – como parte de uma política governamental de garantir o acesso dos mais pobres ao combustível -, os valores não pararam de subir nas distribuidoras e nas revendas.

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Como as revendas são pulverizadas e enfrentam a concorrência de depósitos clandestinos, a atenção recai sobre os distribuidores. Os principais são SHV (Supergasbrás), Ultragaz, Nacional Gás Butano, Copagaz e Liquigás.

Nesse segmento, o aumento de preço do botijão de 13 quilos beirou os 20%, apesar de o combustível estar congelado nas refinarias. A acusação de movimentos coordenados na distribuição vem de empresários da revenda, que preferiram não ser identificados por temerem represálias. “O cartel é nítido, só não vê quem não quer”, afirma uma fonte.

O presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg-BR), Alexandre Borjaili, afirma que recebe denúncias recorrentes sobre a forma como as distribuidoras atuam no mercado.

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Compensação

Uma das denúncias mais frequentes, segundo ele, é a compensação por vendas. “Se um revendedor trabalha com a marca A e decide vender a marca B, a marca B tem que ceder um cliente para a marca A. O objetivo é equilibrar os clientes entre elas mesmas”, diz

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