O mau humor crônico tem nome e tratamento. Conhecido como distimia, trata-se de um transtorno psicológico que atinge entre 3% a 5% da população. Mas a rabugice constante também integra o rol de sintomas associados a distúrbios do sono e da glândula tireoide, e não raro acompanhadas as dietas malucas que prometem emagrecimento rápido.

Segundo a endocrinologista Claudia Cozer, do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, “antes de diagnosticar o mau humor como distimia, é preciso realizar um check-up para descobrir se há uma causa orgânica para o problema”.

Conheça as causas mais comuns e os tratamentos indicados pelos especialistas:

DISTIMIA

O que é: Transtorno psicológico caracterizado por uma depressão leve e crônica – com duração superior a dois anos. Pode ter um componente genético ou ambiental, como um trauma na infância, por exemplo.

Tipo de mau humor: O distímico é pessimista, vive reclamando e está sempre insatisfeito.

Tratamento: Antidepressivos associados a terapia.

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DISTÚRBIOS DO SONO

O que são: Insônia, ronco ou apneia do sono, que ocorre quando há interrupção da respiração por mais de dez segundos em decorrência do relaxamento e fechamento dos músculos da garganta

Tipo de mau humor: A irritabilidade com frequência está associada ao cansaço. Entre as crianças apneicas, porém a hiperatividade é uma característica que costuma mascarar o problema da falta de sono.

Tratamento: Emagrecer é o primeiro passo, já que sobrepeso e obesidade estão entre as causas de apneia e ronco. Uma avaliação médica pode definir se há indicação pra exercícios com fonoaudiólogo, cirurgia ou ainda uso de aparelho intraoral ou de CPAP – uma máscara ligada a um equipamento que bombeia ar para dentro das vias respiratórias.

DISTÚRBIOS DA TIREOIDE

O que são: Tanto o hipotireoidismo, em que a glândula tireoide produz quantidades insuficientes do hormônio tiroxina (T4), como o hipertireoidismo, que ocorre quando há produção excessiva desse hormônio, podem causar alterações de comportamento.

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Tipo de mau humor: O hipotireoidismo deixa mal-humorado, desanimado e sem energia até para as tarefas do dia-a-dia. Já o hipertireoidismo pode ser a explicação para o chamado “pavio curto”, graças à combinação de ansiedade com agressividade.

Tratamento: O hipotireoidismo é controlado com comprimidos diários da forma sintética do hormônio tiroxina. Para tratar o hipertireoidismo, são ministrados inibidores da glândula tireoide.

DIETAS RESTRITIVAS

O que são: regimes que eliminam o consumo de carboidratos ou reduzem a quantidades mínimas por vários dias.

Tipo de mau humor: Como diz o ditado popular, cara feia, em muitos casos, é fome. Quem não se alimenta direito fica agressivo e irritadiço.

“A falta de carboidratos e a baixa glicemia no sangue alteram a bioquímica cerebral, provocando uma redução dos níveis de neurotransmissores como a serotonina, responsável pela sensação de bem estar”, explica o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do hospital Albert Einstein, em São Paulo. As dietas equilibradas, portanto, além de benéficas à saúde, podem prevenir os ataques de raiva.

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MAU HUMOR EM CÁPSULAS

A explicação para as ondas de rabugice ou os ataques de fúria pode estar na gaveta de remédios.

Confira a seguir alguns medicamentos que provocam, entre outros efeitos colaterais, alterações negativas no humor:

Sibutramina: A única droga para emagrecimento à venda no Brasil estimula a saciedade mas pode causar ansiedade e impaciência.

Ritalina: O metilfenidato, um derivado da anfetamina, é usado no tratamento do déficit de atenção e da hiperatividade e provoca alterações de humor como irritabilidade.

Corticoides: Todos os remédios de classe dos corticoides, como a prednisona, que tem ação anti-inflamatória e antialérgica, podem causar instabilidade emocional: uma hora o indivíduo está inquieto e no momento seguinte, apático.

Bupropiona: Embora seja um antidepressivo, o medicamento atua no sistema nervoso central e pode provocar agitação e irritação.

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