Farmácias da Grande Cuiabá registram aumentou de até 35% na venda de medicamentos para “ressaca” durante a “maratona” de carnaval. Como a ingestão de bebida alcoólica durante as festas cresce consideravelmente, os foliões acabam comprando remédios isentos de prescrição e sem consultar um médico. Nos 4 estabelecimentos de uma rede, o crescimento na comercialização varia entre as unidades de 28% a 35%, estima Gilson Lira, gerente da loja matriz. Segundo Lira, o carnaval é a segunda época do ano de maior venda desses medicamentos, perdendo apenas para o Natal e o Réveillon quando a procura por antiácidos e desintoxicante, que custam (juntos) cerca de R$ 3,60, chega a dobrar. Em razão da esperada expansão sazonal nas vendas, o estoque desses remédios foi reforçado em 40%.

Até a última sexta-feira (08) o estoque de outra drogaria ainda estava sendo reposto para garantir os medicamentos nas prateleiras. As vendas de antiácidos, analgésicos e protetores estomacais aumentam 30% até a quarta-feira de Cinzas (13). Jovens e adultos, a clientela é a mais variada, diz o balconista José Carlos Taveira, lembrando que os foliões geralmente compram pelo menos 3 unidades de cada remédio em razão do baixo custo.

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“Eles custam por volta de R$ 2 cada um, mais barato que a bebida”, completa Ricardo Cristaldo, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Mato Grosso (Sincofarma/MT). A entidade estima que, nesta época de festas, os estabelecimentos registram alta de pelo menos 10% nas vendas de antiácidos, analgésicos e digestivos. Cristaldo destaca que o movimento começou antes do fim de semana e vai até esta terça-feira de Carnaval.

O consumo de outros tipos de medicamentos tende a se manter estável, aponta o presidente do sindicato, ao considerar a ausência de profissionais na cidade. “Médicos viajam durante a folga prolongada e esse público espera que retornem. Casos mais graves vão mesmo para o hospital, ou Pronto-Socorro de Cuiabá, onde também é difícil conseguir atendimento”. De acordo com Cristaldo, a pior consequência das bebidas vem com o risco de acidentes.

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Maria Aparecida, 46, que o diga. A diarista tenta apagar da memória lembranças ruins de carnavais recentes, quando o filho mais velho se acidentou voltando de uma festa. O jovem fraturou um dos braços ao cair da moto, que pilotava embriagado. “Graças a Deus foi só isso. Podia ter um carro atrás dele e passado por cima. A ressaca é de menos. O problema é o hábito e as outras consequências da bebida. As pessoas perdem a noção do que está acontecendo ao redor”. Mas a lição em casa foi aprendida, diz, contando que o filho vendeu a moto e não dirige mais depois de beber.

Kit ressaca – A venda casada de remédios não é permitida no Brasil. Em março de 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em todo o país, a comercialização do chamado “kit ressaca”, uma combinação de 3 medicamentos que eram vendidos juntos para amenizar os efeitos do excesso de bebida alcoólica.

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A medida foi tomada pela Anvisa após o departamento de monitoramento de propaganda de medicamentos da pasta receber informações de que farmácias estavam vendendo um kit com preços promocionais. Ele era composto pelo Hepatox (para o fígado), Gastroliv (espécie de sal de frutas) e Nerlagymn (para dor de cabeça), todos fabricados pelo laboratório goiano Cifarma. Na época o laboratório não foi notificado porque eram as farmácias que estavam elaborando o kit.

Na Resolução 651, a Agência alerta que o registro de medicamentos é feito separadamente e não de maneira associada como foi proposto por kits comercializados dessa forma. Desde a publicação da resolução, os estabelecimentos que forem flagrados vendendo o combinado de remédios para ressaca podem sofrer sanções sanitárias e até a determinação do fechamento do local, além de multas.

 

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