Lançado em 2010, o filme “Senna”, que retrata a vida e a carreira do tricampeão mundial de Fórmula 1, que morreu em um acidente em 1994,  obteve grandes bilheterias e conquistou diversos prêmios importantes pelos quatro cantos do planeta. Dois anos e meio após sua chegada aos cinemas, o documentário dirigido por Asif Kapadia volta à tona, agora pelas palavras do maior rival do brasileiro, o ex-piloto Alain Prost. Em uma longa entrevista à revista “Autosport”, o francês rompeu o silêncio e criticou duramente o viés do filme. Que, segundo ele, retrata a dupla como “o vilão e o mocinho”.

Para Prost, os fãs tinham o direito de saber mais sobre o lado humano de Senna, revelado especialmente após a aposentadoria do tetracampeão.”Não quis falar sobre isso antes, mas agora gostaria de dar a minha opinião. Eu não gosto do filme, a partir do que eu vi e ouvi. Assisti uma grande parte, mas não quero vê-lo completamente, porque eu sei do que se trata. Acho que é muito ruim, e triste. Se eles queriam fazer um filme comercial com o vilão e o mocinho, que não fizessem entrevista alguma comigo – afirmou Prost, que disse à época do lançamento que não assistiria ao filme, mas que havia alertado os produtores sobre “erros” na construção do filme.

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Segundo o francês, a conversa preliminar com os produtores do documentário tinha uma “condição”: mostrar a relação entre ambos desde antes da entrada de Senna na F-1, explorando mais o lado humano do brasileiro. O que, de acordo com Prost, inclui o período após sua aposentadoria das pistas, ao fim de 1993, quando Ayrton o substituiu na Williams. “É realmente algo inacreditável. Em minha opinião, foi uma história fantástica. Mas é preciso contar um monte de coisas que aconteceram depois que me aposentei. Eu fiz quase oito horas de entrevistas. Oito horas. Falei muito mais sobre o lado humano, de modo que se pudesse entender como ele era antes. Porque ele também me contou, depois que eu me aposentei, como foi a época em que corremos juntos” argumentou o tetracampeão.

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O período entre a última corrida de Prost na Fórmula 1 e o dia da morte de Senna foi curto, compreendendo um intervalo de menos de seis meses. Mesmo assim, o ex-piloto, que completará 58 anos no próximo domingo (24 de fevereiro), considera estes 174 dias como alguns dos mais importantes na relação indissolúvel destes dois ícones do automobilismo, que foram companheiros na McLaren em 1988 e 1989.

O filme mostra uma reaproximação entre os dois rivais na época em que o brasileiro enfrentava problemas com um carro terrivelmente instável, que culminaria no problema mecânico que causou seu acidente fatal. Porém, a forma como a famosa mensagem via rádio de Senna que aparece na transmissão da TV francesa foi exibida no longametragem é outro motivo de desgosto para o francês, que também participa no filme dando seu depoimento sobre aquele trágico fim de semana de 1994.”Tentei explicar o que aconteceu uma semana antes de Imola, quando Ayrton me ligou quase todos os dias. Há coisas que ele me disse durante aquela semana que eu jamais contaria a ninguém.

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Quando ele diz “Alain, sentimos sua falta”, algo que foi organizado e arranjado pela TV francesa, eles (os produtores do filme) perdem completamente a medida. Eu não posso ficar feliz com isso. E não é porque pareço o cara mau, eu não me importo muito com isso. Eu estou vivo, eu estou bem. Mas eu gostaria que todos soubessem o que Ayrton Senna foi, como lutamos e também o que aconteceu no final. Nossa história não terminou em 1994. Nossa história vai durar para sempre”, contou o ex-piloto, confessando estar mais preocupado com isso hoje em dia do que quando o filme foi lançado.

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