Na quadra 2, a linha do fundo de quadra soltou-se do saibro na terça-feira e teve de ser improvisadamente pregada no solo enquanto um jogo foi interrompido. Na quadra central, múltiplos pontos foram disputados de forma estranha graças a quiques irregulares. E como se não bastasse o jogo rápido provocado pela quadra indoor e a altitude de São Paulo (760 metros acima do nível do mar), as bolinhas encolhem durante os pontos e dificultam ainda mais a vida dos atletas. Desde o começo da semana, o Aberto do Brasil virou alvo de crítica de tenistas que entraram em quadra.

Os maiores problemas aconteceram no improvisado Ginásio Mauro Pinheiro, que dá suporte ao torneio. Além de goteiras sobre a quadra 1 e de uma arquibancada que impossibilita ao torcedor enxergar um dos tenistas no fundo de quadra, a quadra 2 sofreu com uma linha que se desprega do fundo de quadra. O alemão Dustin Brown, famoso por sua cabeleira cheia de dreads, foi o maior crítico do local. Ele atuou lá nesta quinta-feira e torceu de leve o tornozelo. Ao xingar a quadra, foi punido pelo árbitro de cadeira. O tenista usou o Twitter para fazer seu desabafo sobre o local.

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– Todo mundo sabe que as quadras no Aberto do Brasil são uma m… Eu torço o tornozelo durante o jogo, digo que a quadra é uma m… e sou penalizado com a perda de um ponto.

Brown não exagera quando diz “todo mundo”. O número 1 do Brasil em duplas, Marcelo Melo, concordou e revelou à imprensa que, no vestiário, a queixa é geral.

– A quadra, sim. A quadra poderia estar bem melhor do que está, em todos aspectos. Não sou só eu, são 100% dos jogadores. Muitos vieram perguntar para os brasileiros por que a quadra está assim e eu não consigo responder porque não sei. A quadra deveria ser melhor. Melhor para os jogadores, melhor para o torneio, melhor para o espetáculo.

O argentino Horacio Zeballos, que derrotou Rafael Nadal na final do ATP 250 de Viña del Mar, no último domingo, foi outro que não economizou.

– Infelizmente, para o que é um torneio ATP que tem jogadores como Nadal, Almagro e Nalbandian, as quadras não estão nas melhores condições.

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Nalbandian, citado pelo compatriota, concordou. Na partida contra o chileno Jorge Aguilar, na quadra central, o veterano argentino saiu perdendo por 4/0 e culpou a quadra e as bolinhas. Segundo o ex-top 10, elas diminuem de tamanho ao longo dos pontos e ficam mais difíceis de controlar.

– O jogo foi duro (Nalbandian venceu por 7/5, 5/7 e 6/3) porque as condições estão muito difíceis. As quadras não estão no melhor estado e a bola está muito complicada de controlar. Tentei me adaptar, acostumar e tentar melhorar meu nível. Não tive nenhum tipo de sensação boa em quadra. É uma bola muito rápida. Ela diminui de tamanho com o decorrer dos games e vai piorando. Em vez de aumentar e ficar mais lenta, ela fica ainda mais rápida. Com a altitude de São Paulo, fica impossível de controlar.

O único tenista a sair em defesa do Aberto do Brasil foi João Souza, o Feijão. Classificado para as oitavas de final para enfrentar Rafael Nadal nesta quinta-feira, após 20h, o paulista não chegou a elogiar as quadras, mas criticou os atletas que recamaram do piso irregular.

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– Ninguém é obrigado a jogar aqui e ficar metendo o pau na quadra. Tem a opção de não vir, pois há outros ATPs nesta semana. Eu defendo sim, porque é o meu país e este é o único torneio (de nível ATP) por aqui. A quadra esta desviando um pouco, mas para os dois lados. Não é todo lugar que é Roland Garros.

Número 1 do Brasil, Thomaz Bellucci não foi tão crítico. O paulista, que tem sua carreira gerenciada pela Koch Tavares, organizadora do Aberto do Brasil, encontrou uma saída diplomática quando foi indagado pelos jornalistas.

– Muitos jogadores têm reclamado, mas as condições são iguais para todo mundo. Eu não jogo com uma bola melhor do que a do adversário. Lógico que há outros torneios em que as condições são melhores. Comparar Roland Garros com aqui não tem como. As condições são iguais para os dois. Não é motivo para ficar reclamando demais.

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