A placa eletrônica no Pacaembu anunciava a substituição do colombiano Molina por Neymar, aos 14 minutos do segundo tempo da partida entre Santos e Oeste, no Pacaembu. No dia 7 de março de 2009, o então camisa 18, ainda franzino, com cabelo raspado, iniciava sua trajetória como profissional. O número do uniforme e o cabelo discreto são bem diferentes dos que o astro usa agora, exatamente quatro anos depois. Para se tornar o que é hoje, o craque brilhou nos gramados, mas também teve a ajuda de um forte suporte fora dos campos.
Desde a criação do “projeto Neymar”, em 2010, a imagem do jogador do Santos virou um grande negócio, explorada por 11 patrocinadores. Para ascender de simples atleta a fenômeno midiático, o atacante tem a ajuda de 22 funcionários, divididos entre Peixe, NR Sports, empresa da família, e o Instituto Neymar JR (veja no quadro abaixo). Atualmente, o atacante vive uma fase instável em campo, em que é vice-artilheiro do Campeonato Paulista, mas coleciona atuações abaixo da média (dele) e muitos cartões. Mas a engrenagem comercial não para.
Os ganhos de Neymar em 2012 chegaram perto dos R$ 40 milhões e não param de crescer. Para se ter uma ideia, Messi renovou recentemente com o Barcelona até 2018 para receber salários anuais equivalentes a R$ 29,5 milhões, de acordo com o jornal “AS”, da Espanha. O argentino, porém, ainda fatura muito mais do que Neymar, pois esse valor não inclui ganhos com publicidade, maior fatia dos rendimentos do santista.
Fora de campo, o improviso do craque dá lugar à seriedade de Neymar da Silva Santos. Pai e responsável pela sua carreira, ele dita a regra e tem um objetivo principal: deixar Neymar livre para jogar futebol. Gerenciar a vida do astro mais badalado do Brasil é o trabalho dele e de seu time, com a ajuda do Santos. O GLOBOESPORTE.COM e a TV Globo acompanharam a equipe por trás do ídolo durante um dia para saber como funciona a máquina que mantém o craque no topo.
Agenda de astro
Eduardo Musa, principal gestor, é o homem colado em Neymar durante quase todo o tempo e responsável por fazer a agenda do atleta. Toda sexta-feira, eles constroem a semana de Neymar baseada nos horários de treinos, jogos e viagens do Santos e da Seleção. A primeira tarefa é achar um tempo para descanso e depois encaixar os compromissos comerciais.
– Tomo decisões variadas. Em média, recebo 150 e-mails por dia, com demanda de patrocínios e imprensa, entre outras coisas. Depois de receber a programação, nós levamos tudo para o Neymar e decidimos juntos. Hoje, ele entende que além do treino e do jogo, os compromissos profissionais fazem parte – diz o gestor.
Curiosamente, Musa assumiu função mais próxima a Neymar no dia 15 de setembro de 2010, poucas horas antes de estourar a crise com Dorival Júnior, então técnico do Santos e hoje no Flamengo, durante a partida contra o Atlético-GO, na Vila. Assim, todo o planejamento para refazer a imagem do atleta foi derrubado, pois a emergência virou prioridade – o astro discutiu em campo com o ex-chefe. O caso teve tamanha repercussão que resultou na demissão do treinador, dias depois.
No dia 1º de fevereiro, a reportagem acompanhou uma amostra da rotina de Neymar. Antes de ele chegar ao CT Rei Pelé para o treino das 10h, Helena Passarelli, assessora, já estava no local. Ela recebia jornalistas de veículos do Japão e França, que iriam entrevistar o jogador – pedidos feitos ainda no ano passado, pendentes há meses. Eram três equipes de reportagem, que teriam exatamente dez minutos cada. Há mais inúmeros pedidos de veículos internacionais para entrevistas com Neymar.
Depois de treinar, atender a torcedores, almoçar e tomar banho, o atacante senta na cadeira da sala da Santos TV e conversa com os jornalistas. O interesse se dá pela proximidade da Copa do Mundo. Mesmo após seguidas declarações garantindo a permanência até 2014, japoneses e franceses ainda questionam Neymar sobre um suposto pré-contrato com Barcelona ou Real Madrid. A resposta é a mesma de sempre: “Não”.
Viagens de helicóptero e avião, alugados, viraram rotina para Neymar, que se desdobra para estar em todos os lugares necessários. Entre 30 e 31 de janeiro, por exemplo, ele esteve em Itu, jogando pelo Santos, no Rio de Janeiro, como modelo do novo uniforme da Seleção, e em Santos, para conceder entrevista coletiva no CT Rei Pelé.
– O conceito todo é baseado em não mudar a postura do Neymar. Optamos por mantê-lo como ele é – diz Eduardo Musa.

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