Com a greve dos funcionários de ônibus, os cariocas enfrentam um dia caótico na manhã desta sexta-feira (1º). Para quem tenta ir ao trabalho, a espera por uma condução chega até uma hora. O ponto de ônibus em frente à garagem da Viação Real, na Avenida Brasil, na altura de Manguinhos, no Subúrbio do Rio, estava lotado por volta das 6h20.

Morador da comunidade da Vila dos Pinheiros, o pedreiro Geraldo Matias, de 65 anos, disse que nunca aguardou tanto tempo para pegar um coletivo e chegar ao trabalho, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste.

“Eu espero no máximo 15 minutos e hoje já vai fazer uma hora e meia que estou aguardando. Acho esta greve uma falta de respeito com a população que precisa trabalhar. Eu só tenho uma condução para chegar ao trabalho que é o ônibus da linha 343. Se ele não passar aqui hoje, eu realmente não sei o que vou fazer”.

Também na mesma situação que Geraldo, o cozinheiro Inaldo Ernesto, de 26 anos, contou que não sabia da greve. “O que eu acho engraçado é que eles decidem parar do nada e ainda acha que somos obrigados a saber disso. Se soubesse que eles estavam parados, teria saído mais cedo de casa. Agora estou aqui há uma hora a espera de uma condução, que talvez nem chegue. Isso é o cúmulo”, desabafou Ernesto, que trabalha na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. “Acho que o jeito vai ser pegar uma van. Vou ter que pagar mais caro para tentar chegar ao serviço”, desabafou.

Greve
O sindicato dos rodoviários do Rio de Janeirodecidiu entrar em greve a partir da meia-noite desta sexta-feira (1º). Segundo o presidente do Sindicato Municipal dos Trabalhadores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros do Município do Rio de Janeiro (Sintraturb-Rio), José Carlos Sacramento, a paralisação continuará até o meio-dia de sexta, apenas no município do Rio de Janeiro, quando o sindicato realizará uma nova reunião.

De acordo com Sebastião José da Silva, vice-presidente do Sintraturb-Rio e presidente da Nova Central de Trabalhadores, a paralisação será de, no máximo, 24 horas.

Tempo indeterminado
De acordo com uma das diretoras do Sindicato dos Rodoviários, Ângela Maria Lourenço, a greve, por enquanto, é por tempo indeterminado. “Estamos aqui lutando pelos nossos direitos. Nosso piso salarial e benefícios são baixos. Recebemos R$ 100 de cesta básica e ainda descontam R$ 20. Não sabemos ainda até quando será a greve, vai depender da avaliação e também das medidas que serão tomadas”, disse Ângela, que garantiu também que em todas as 47 garagens de ônibus da cidade têm um representante do sindicato:

“A greve está sendo pacífica. Não estamos forçando ninguém a fazer nada. Muito pelo contrário, a greve está acontecendo a pedido dos próprios rodoviários”, completou.
Às 7h desta sexta-feira, poucos ônibus passavam pela Avenida Brasil, na altura de Manguinhos. O movimento maior era de táxis e também de vans.

Aumento salarial
Os rodoviários pleiteiam um aumento salarial de 15%, o fim da dupla função, na qual o funcionário atua como motorista e cobrador, além de benefícios como: vale-alimentação, cesta básica e plano de saúde.

O sindicato informou que pelo menos 20% dos ônibus vão circular nas ruas e que manobristas das empresas também podem atuar como motoristas nesta sexta-feira.

“Está difícil de garantir que pelo menos 20% dos ônibus vão estar nas ruas. Motoristas e cobradores estão revoltados. Não aceitamos o reajuste de 8% proposto pelo sindicato patronal”, diz Sebastião.
Manifestação

Por volta das 21h30, um grupo de rodoviários fez uma manifestação na Avenida Brasil, na pista lateral, sentido Zona Oeste, na altura de Guadalupe. O ato ocupou metade da pista e o Batalhão de Policiamento de Vias Especiais (BPVE) foi acionado. O trânsito ficou com retenção. Quatro carros da PM foram ao local, para conter o tumulto.

Reforço no metrô
Com o anúncio da greve dos rodoviários, o metrô informou que vai realizar uma operação especial para absorver o aumento do número de passageiros em suas estações. O MetrôRio, concessionária responsável pelo serviço, estima um aumento de 15% no transporte de passageiros. Nas plataformas, a companhia vai disponibilizar mais de 400 agentes de segurança para fazer, caso seja necessário, o controle de fluxo dos usuários nas Linhas 1 e 2.

Reforço nos trens
A SuperVia informou que está preparada para atender a possível ampliação da demanda de passageiros em virtude da greve dos rodoviários. Poderão ser realizadas viagens extras nos ramais afetados pela paralisação do transporte por ônibus. A empresa reforçou sua equipe de atendimento para garantir segurança e bem estar dos passageiros nas viagens.

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