Células-tronco do cordão umbilical vêm sendo armazenadas para salvar vidas, uma vez que podem auxiliar na regeneração de muitas doenças, tidas até então como sem solução. Hoje, existem inúmeras pesquisas em andamento para identificar como as células-tronco do cordão umbilical podem ajudar a combater mais de 200 tipos de doenças. Sem falar das mais de 80 doenças que já podem contar com o uso efetivo dessas células, como linfomas, leucemias, mielomas, entre outras.

Daí porque tem crescido o número de famílias que buscam ajuda para armazenar as células-tronco do cordão umbilical de seus filhos recém-nascidos, a fim de não precisarem recorrer a alguém que possa doar as células quando delas precisarem. Segundo dados do Banco de Cordão Umbilical (BCU – Brasil), a procura cresceu 12% em 2012, quando comparado com o ano anterior.

“O aumento da busca de famílias neste ano pela armazenagem de células-tronco é um número bastante expressivo, visto que há apenas alguns anos o sangue do cordão umbilical era totalmente descartado”, diz a cirurgiã vascular Adriana Homem, médica responsável técnica do BCU Brasil.

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O sangue do cordão umbilical, durante a gravidez, tem a função de levar o oxigênio e os nutrientes essenciais do sangue materno para o bebê por meio da placenta e do cordão umbilical. Portanto, o sangue que circula no cordão umbilical é o mesmo do recém-nascido. E, por serem células adultas livres de impurezas, como medicamentos, estresse, entre outros, garantem uma maior eficiência na área terapêutica.

Pesquisa para tratar insuficiência renal

Em Rio Preto, um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), especializado em terapia celular, dirigido pelo nefrologista Mario Abbud Filho, em conjunto com Laboratório de Imunologia e Transplante Experimental, estuda o uso das células-tronco no tratamento da insuficiência renal crônica.

“Em 2012, expandimos nossas pesquisas com a utilização das células-tronco pluripotentes induzidas (IPS) e fomos contemplados com um auxílio do CNPq de Pesquisa Translacional em Terapia celular”, explica a pesquisadora Eny Maria Goloni Bertolom, da da Unidade de Pesquisa Genética e Molecular (UPGEM), parceira no projeto.

O grupo de pesquisa é composto por profissionais de diferentes áreas e instituições. Entretanto, o trabalho se concentra, desde 2008, na utilização de células derivadas da medula óssea para o tratamento da insuficiência renal crônica experimental.

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A pesquisadora observa que a única terapia celular comprovada e aprovada para uso clínico em seres humanos é o transplante de medula óssea. “Todas as outras aplicações são experimentais e só podem ser oferecidas gratuitamente, dentro de um projeto de pesquisa autorizado por uma portaria específica do Ministério da Saúde”, diz.

Já a diretora do BCU, que é uma instituição privada, explica que as células-tronco do cordão umbilical podem ajudar a combater doenças autoimunes, por serem imunorreguladoras. “Quando usadas em doenças autoimunes, ela controla a doença, impedindo que a mesma evolua e inibe o ataque ao próprio organismo”, diz.

No mundo todo já está sendo utilizada essa nova arma terapêutica. “No Brasil, a utilização ainda é menor que a mundial, devido ao fato de não existir grande quantidade de bolsas de células-tronco nos bancos públicos, e pelo número de doadores ser menor do que nossas necessidades”, diz.

ede de distribuição

Embora o custo para a armazenagem não torne o processo viável para todas as pessoas, a boa notícia é que o Ministério da Saúde, por intermédio do Instituto Nacional do Câncer (Inca) coordena a Rede Brasilcord, que reúne bancos públicos de sangue de cordão umbilical, para tentar atender toda a população. Algumas unidades estão instaladas no Rio de Janeiro, no Hospital Albert Einstein, no Hospital Sírio Libanês e nos hemocentros da Unicamp e de Ribeirão Preto, todos em São Paulo.

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Entretanto, já há unidades em atividade também em Brasília,Florianópolis, Fortaleza e Belém. Com esta medida, o ministério visa a instalar bancos em todas as regiões do país para contemplar a diversidade genética da população brasileira.

A médica Adriana observa que a coleta é totalmente indolor e segura, tanto para a mamãe como para o bebê. “Após a coleta, as células são avaliadas e armazenadas, podendo ficar congeladas por tempo indeterminado sem perder suas propriedades terapêuticas”, explica. Há a opção, ainda, de guardar em um banco privado, onde as células serão de uso exclusivo do próprio filho, ou doar para um banco público, que ajudará as pessoas que estão na fila de espera.

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