Vanessa PereiraSe não temos o melhor jogador do mundo de futebol masculino desde Kaká, em 2007, o esporte brasileiro desponta pelo globo através de suas representantes. Marta foi cinco vezes eleita a melhor do planeta, mas perdeu o reinado nos últimos anos para uma japonesa e uma americana. Já no futsal, a supremacia ainda resiste graças a Vanessa Pereira, chamada de ‘Messi brasileira’.

Canhota, baixinha, habilidosa e goleadora, Vanessa foi eleita pela imprensa especializada por três vezes consecutiva como a melhor do mundo. Também foi campeã mundial com a amarelinha em 2011, com direito a dois gols na final contra a Espanha – o do empate e o da virada nos últimos minutos. Assim como ‘a Pulga’ argentina, Vanessa coleciona outras diversas conquistas: são cinco ligas nacionais, dois sul-americanos e quatro vezes o título da Taça Brasil. Com tantas medalhas no peito, a humildade ainda prevalece.

A comparação existe porque temos características parecidas e pelos títulos. Ele foi eleito quatro vezes melhor do mundo e eu tenho três. Acredito que ocorre por isso pelas características e os títulos. Mas atribuo isso tudo por ter caído nas mãos certas, em equipes com profissionais competentes. Hoje atuo com um grupo que me dá condições de fazer jogadas, liberdade de driblar durante o jogo e de finalizar. Tive sorte também. Como eu, outras meninas saem de casa e não dão certo – comenta a jogadora de 25 anos.

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As duas chuteiras de prata que tem na galeria aumentam a comparação. Vanessa foi a artilheira, com 33 gols, e eleita a melhor jogadora do Campeonato Sul-Americano de clubes, pela Female, de Chapecó. A jogadora representa ainda a boa fase do futebol do oeste de Santa Catarina. A representante da região, a Chapecoense, está em alta. Em 2012, conquistou o histórico acesso à Série B do Brasileirão e se juntou a mais três representantes do estado. Já no início deste ano, conquistou o título com uma rodada de antecipação do Campeonato Catarinense, com direito a artilheira da competição.

As conquistas nos últimos três anos não diminuem os desejos da mineira de Pato de Minas. Ainda jovem, tem planos e conquistas para a carreira. Tem nos pés e na cabeça a fixação por fazer o que gosta. Desde os cinco anos, com os primeiros chutes, Vanessa tem em mente ser jogadora de futsal. Ela recebe da equipe de Chapecó salário, hospedagem e bolsa pra fazer faculdade de fisioterapia. Mas a retribuição, conforme os planos, precisa ir além de títulos ao time e conquistas pessoais.

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Sempre coloquei para mim mesma que quero mais. Ainda que tenha conquistado os principais títulos na carreira, infelizmente não tenho a Liga e a Copa da Espanha nos três meses que joguei no país. Ainda quero ajudar o esporte a ter reconhecimento e jogar nas Olimpíadas. É uma modalidade que merece ser reconhecida como olímpica. Essas conquistas individuais me ajudam a dar visibilidade. O que faço não é só por mim: é para elevar o nome da cidade que represento e do país.

Reconhecimento na equipe

Eder José Popiolski convive com a jogadora diariamente, antes como treinador e agora como coordenador geral da equipe de Chapecó. O reconhecimento mundial, segundo ele, não faz com que Vanessa mude sua postura. Pelo contrário. A mineira natural de Patos de Minas mantém a dedicação nos treinamentos que a levaram às comparações com o argentino dos gramados.
Nos últimos três anos foi considerada a melhor do mundo e convive bem tranquila com este status”

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A Vanessa é uma menina tranquila, centrada. Nos últimos três anos, ela foi considerada a melhor do mundo e convive bem tranquila com este status. Essas conquistas são fruto da dedicação dela nos treinamentos, a preparação é que a faz uma grande atleta. É uma profissional com paixão em treinar e jogar bola – diz Popiolski.

Porém, o talento que aflorou quando menina pode não mais desfilar pelas quadras de Santa Catarina e do Brasil. Vanessa analisa propostas para defender clubes da Rússia ou Japão, países com ligas mais fortes no futsal feminino e com melhores salários. Na cabeça, tem, ainda, o desejo de voltar à Espanha para conquistar o que não conseguiu.

Infelizmente não temos uma liga muito organizada. O reconhecimento é maior fora do país que aqui. Tenho propostas do Japão e da Rússia para o mês de julho, mas essas questões são tratadas por agentes e meus familiares. Tenho o desejo de ir para a Espanha e buscar os títulos da liga e da copa de lá. No momento penso em ficar aqui e deixo para pessoas que estão comigo ver o melhor lugar para ir.

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