Um amigo, bom partido, conta surpreso que tem procurado muito uma namorada. Mas à revelia de sua vontade, as mulheres preferem ficar. E no final da noite, vão embora e sequer ligam no dia seguinte. E muito menos deixam alinhavado novo encontro. É o fim!

Estas eram as armas usadas pelos homens. As mulheres buscavam garantias que iam de encontro ao pavor deles de aprisionamento. Elas, um casamento, filhos, a segurança de uma família. Eles, no paraíso, com inúmeras possibilidades de escolha.

Escolha: é isso que temos hoje.

Podemos escolher a profissão que quisermos porque em todas elas conseguimos êxitos reconhecidos. Despontamos com sucesso em diversas áreas dominadas exclusivamente pelos homens. Temos mulheres na magistratura, na política, na segurança, entre outras tantas, e até uma presidente que  nos conquista todos os dias pelo seu profissionalismo, coragem e sua ternura – veja seu carinho com as famílias que perderam filhos no incêndio da boate Kiss em Santa Maria (RS). Sensibilidade, antes relegada às mulheres e aos frouxos, hoje tem conotações  interpretativas e faz a exegese do mundo.

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Escolhemos casar ou não, sem que isso signifique que somos inferiores, defeituosas. Ter um companheiro ou não. Não precisamos de um aval masculino para estar no mundo. Podemos nos permitir tomar uma cerveja num bar, sozinhas, sem a conotação de estarmos à caça ou disponíveis.

Conseguimos optar por ter filhos nossos ou adotados – e continuar com a vida profissional porque hoje temos inúmeras opções de escolas e mais importante, um pai participativo na criação e educação dos filhos. Mas se desejarmos não ter filhos, já não persiste o rótulo de imprestáveis, apenas uma entidade respeitável à parte da maternidade.

E, pasmem, podemos escolher nosso companheiro e não sermos escolhidas pelos dotes físicos ou financeiros. De Mariazinha chegamos a Maria, lembrando Marta Suplicy. Construímos uma vida maravilhosa e para termos alguém tem que valer a pena, porque o tempo é valioso demais para relações conturbadas. Queremos um parceiro sobmedida, que saiba cozinhar, cuidar dos filhos, carinhoso e bom profissional, garantindo não pagar a conta, mas dividi-la.

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Estabelecemos prioridades sem constrangimentos: permitimos-nos o oblíquo a estacionar entre dois carros; ou não esperar o convite de um homem para dançar, mas convidá-lo; ou ainda um filme lindo à leitura de Náusea, de Sartre. Temos coisas mais importantes para pensar. Coisas grandes, ousadas, que constituem a nossa marca,  “pois a mediocridade é doce e fácil demais”, conforme  Lya Luft.

Podemos muito, mas homens relaxem, ainda gostamos de flores, de poemas sussurrados no ouvido e uma música romântica. E vocês, não têm mais o compromisso de serem príncipes, podem ser sapos, que podemos transformá-los rapidinho!

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