O relato sobre o controle do HIV por longo prazo feito pelos médicos americanos é o primeiro caso em uma criança mas já é o terceiro trabalho a sugerir que estratégias mais agressivas no uso dos antirretrovirais podem tomar lugar de destaque no combate à infecção.

De dois anos para cá, a busca da erradicação da doença tem sido não só uma meta de estudos com vacinas, mas também daqueles com drogas terapêuticas.

“Alguns anos atrás, as pessoas estavam entusiasmadas com o que ocorria na pesquisa da vacina e acreditavam que ela estivesse ao alcance, mas as falhas em testes nos colocaram diante de uma perspectiva mais realista”, diz Daria Hazuda, chefe de pesquisa em doenças infecciosas do laboratório MSD e participante do congresso nos EUA onde a “cura funcional” do bebê foi anunciada.

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Hazuda trabalhou, no ano passado, em um teste clínico que conseguiu despertar as reservas de HIV que ficavam escondidas no corpo de pacientes após o tratamento e que impediam uma limpeza definitiva da infecção.

Uma vez “acordado”, o HIV latente pode ser localizado pelas drogas dentro do organismo e, depois, aniquilado. No teste, feito em colaboração com a Universidade da Carolina do Norte, oito pacientes podem ter sido “curados” da infecção, apesar de um tempo maior de observação ser necessário para confirmar a descoberta.

O Instituto Pasteur, da França, também anunciou, no ano passado, ter identificado 14 soropositivos que estão sem sinais do HIV há sete anos, apesar de terem parado de tomar os medicamentos. Conhecido como “coorte Visconti”, esse grupo havia passado por três anos de terapia antirretroviral intensa antes de cessar o tratamento, monitorado por médicos.

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Juntos de Timothy Brown, conhecido como o “paciente de Berlim”, e a criança, os relatos de “cura funcional” agora já somam 24 pacientes.

Brown, porém, foi submetido a um processo singular. Ele tinha leucemia e passou por um transplante de medula. O doador tinha uma mutação que o tornava imune à infecção. O tratamento foi realizado em 2007, e começou-se a falar em “cura” em 2010.

“Agora já temos múltiplos exemplos de como o controle da infecção pode ocorrer”, diz Hazuda.

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