Como Papa Emérito, Bento XVI deixou de usar um item do vestuário papal que chama a atenção pela cor reluzente, em contraste com o branco da batina: os sapatos vermelhos. Na semana passada, o porta-voz do Vaticano, Padre Federico Lombardi, revelou que Joseph Ratzinger, após sua renúncia no dia 28 de fevereiro, deixaria de usar os calçados característicos, feitos por um imigrante peruano em uma pequena oficina em Roma.

Na ocasião, Lombardi comentou que Bento XVI manteria consigo um par de sapatos marrons que aprecia muito, dados a ele pelo mexicano Armando Martín, durante a viagem do então pontífice ao México, em março de 2012.

O anúncio do porta-voz deixou Martín admirado. “A notícia de que o Papa [Emérito] continuará usando os sapatos que fizemos com tanto carinho me surpreendeu, por isso decidimos agradecer dando outros dois pares”, afirmou o mexicano, que há 12 abriu sua fábrica de calçados de couro em Léon, no centro do México.

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O sapateiro reconhece que o anúncio da renúncia de Bento XVI pode aumentar suas vendas e exportações, mas assegura que o maior benefício é o “reconhecimento público aos mexicanos, aos latino-americanos, como gente capaz de fazer produtos de primeira qualidade”.

Os calçados dados ao pontífice foram resultado de vários desenhos e palpites dos trabalhadores da fábrica até chegar ao modelo único, chamado Bento, feito com couro de bezerro, segundo o empresário de 46 anos, um sapateiro de tradição familiar.

Martín entregou pessoalmente a Bento XVI o par de sapatos antes da missa celebrada em sua visita ao México, relatou o sapateiro, enquanto mostrava os restos de couro utilizados na confecção do calçado papal.

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“Sabia que ele iria gostar, porque nossos produtos são em geral para um público exigente, mas não imaginei que tanto”, acrescentou Martín.
Em janeiro de 2012, o sapateiro decidiu que o Papa teria que levar de Guanajuato, um estado mexicano com uma forte indústria de calçado, um par de sapatos feitos em sua fábrica. Ele sabia que não teria tempo para provas, mas precisava do tamanho dos pés.

As autoridades eclesiásticas da região conseguiram as medidas, e então os desenhistas puderam começar. “Pensamos em vários modelos, até em botinas”, lembra sorridente.

“O mais importante era manter a elegância e torná-lo o mais confortável possível. Também precisavam ser seguros, por isso decidimos fazer sem cadarço para evitar qualquer tropeço. Teriam que ser fáceis de colocar, dada a sua idade avançada, e finalmente escolhemos a cor vermelha, depois de tentar com azul e preto”, acrescentou com satisfação.

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Martín assegura que, apesar do sucesso, o modelo Bento não será comercializado. “Existem apenas dois pares, o que ele recebeu e esta réplica”, afirmou ao mostrar seu tesouro que é tocado com luvas de látex.

“Além disso, teriam um alto custo. O que estamos pensando é que talvez poderíamos dar pares parecidos aos bispos que quiserem”, prosseguiu.

Mas presente mesmo o empresário mexicano tem em mente apenas um, o planejado para Joseph Ratzinger. “Estamos trabalhando com muita paixão em dois pares, um preto e um azul, mas não vou adiantar nenhum detalhe, será uma grande surpresa para ele”.

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