O “Efeito Ronda Rousey” já é considerado um divisor de águas no MMA feminino. Com o rápido crescimento de visibilidade proporcionado pela bela lutadora, o esporte alcançou índices inéditos de popularidade e, após muitas brigas, acabou caindo nas graças do chefão do UFC, Dana White, que criou uma divisão feminina no octógono mais famoso do mundo.

Bom para a baiana Amanda Nunes, única brasileira escolhida entre as dez contratadas para compor o peso-galo (61 kg) e que hoje, aos 24 anos, comprova que mereceu o destaque recebido nas últimas temporadas quando ainda era apontada como o novo fenômeno do país no MMA.

Consciente de responsabilidade de representar o país criador da modalidade, a lutadora, que mora há quatro anos nos EUA, conta com um time voltado para potencializar seus resultados. Pupila dos mestres Daniel Valverde e Cesar Carneiro, Amanda conta a estrutura da MMA Masters, em Miami, para se manter no topo do esporte.

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Posição que, cedo ou tarde, colocará em sua frente a americana Ronda Rousey, campeã invicta da categoria e dona de uma medalha olímpica no judô. Nada, porém, que assuste a baiana boa de briga.

– Como lutadora, ela não tem muita coisa para oferecer. Faz sempre aquilo, encurrala, derruba e pega o braço. Não é completa e é fácil de ser estudada.

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Acompanhe a seguir a conversa exclusiva de Amanda com o R7:

R7 – Amanda, você anunciou uma lesão pouco depois de ser contratada pelo UFC, mas tinha um combate confirmado no Invicta. O que houve exatamente?
Amanda – Eu me machuquei em um treino de wrestling. Estou me recuperando ainda desse estiramento no ombro. Mas estou muito bem, fazendo treinos leves e esperando para aumentar a carga na semana que vem.

R7 – Mas você tem alguma data para lutar no UFC?
Amanda – Ainda não sei. Essa luta no Invicta eu cancelei pela lesão mas, depois, quem sabe. O UFC poderia até liberar para as meninas lutarem no Invicta já que os eventos possuem uma relação muito boa. Seria bom para manter as meninas lutando. Mas, sobre mim, devo saber do meu futuro depois da luta da Miesha Tate com a Cat Zingano, quando eles devem definir o próximo card feminino.

R7 – Ser a única brasileira a lutar no maior evento do mundo aumenta a pressão nas suas costas?
Amanda – Não diria que dá um peso a mais. Mas dá mais incentivo para mostrar serviço, treinar e nocautear. É aquele incentivo a mais por um sonho que estou realizando.

R7 – A situação de vocês é curiosa porque, apesar de existirem poucas atletas na categoria, todas são renomadas, o que torna cada luta uma disputa de alto nível…
Amanda – Sem dúvida alguma. O nível do MMA feminino mudou da água para o vinho. Se você não estiver preparada, acaba ficando muito para trás. Tem sempre que treinar e evoluir. Agora teremos o TUF com mulheres e, com certeza, vão aparecer novos talentos para o esporte.

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R7 – Um assunto que não seria possível tocar com você é o “Efeito Ronda Rousey”. Como você a avalia como lutadora e como maior ícone do esporte no momento?
Amanda – A gente só vai se falar quando tiver a oportunidade de lutar [risos]. Agradeço ela por tudo que fez. Se não fosse a Ronda, talvez não estivéssemos no UFC. Mas, como lutadora, ela não tem muita coisa para oferecer. Ela faz sempre aquilo, encurrala, derruba e pega o braço. Não é completa e é fácil de ser estudada. Não vou tirar o mérito dela de campeã do mundo, de jeito nenhum. Finalizou todo mundo, parabéns. Mas, com certeza, um dia alguém vencerá ela. Tem que ser completa, tem que trocar bem, derrubar e lutar jiu-jitsu. Falta muita coisa no jogo dela.

R7 – Comparando seus estilos, dá para dizer que você é mais completa do que ela?
Amanda – Sem dúvida. Estou sempre aprimorando o meu jogo. Quando eu for campeã, quero ser o mais completa possível. Já venci luta por nocaute, por finalização e por pontos. Sempre tenho esse pensamento: “Quando eu pegar esse cinturão”. Meu primeiro sonho já foi, fui contratada e estou dentro do evento. O próximo é ir em busca desse cinturão.

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R7 – Quem você acha que seria a adversária perfeita para você no UFC?
Amanda – A melhor luta para mim e para os fãs que acompanhariam o show seria contra a Sarah Kaufman. Seria uma luta maravilhosa, com muito striking [troca de golpes em pé]. Seria ser uma luta completa.

R7 – Para terminar, como você viu a situação da Cris “Cyborg”, que ficou de fora do UFC após tanta confusão?
Amanda – Eu fico triste por ela. Ela foi pioneira nisso e queria que ela tivesse conseguido baixar e bater esse peso. Mas, infelizmente, ela não se sente bem nessa categoria. Tomara que no futuro ela consiga baixar de peso e seja contratada pelo UFC. Torço muito por ela, é uma verdadeira campeã. Quando comecei a Cris já era uma vencedora. Lembro que sempre pensava em lutar em um evento: “Quero ir pra lá, onde a Cris luta”.

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