Segunda cultura mais produzida no Brasil, que em volume fica atrás apenas da soja, o milho será alvo do levantamento técnico-jornalístico específico através da Expedição Milho Brasil. O lançamento será na próxima segunda-feira, 22 de abril, em Cuiabá (MT). O projeto vai a campo discutir as variáveis da cadeia produtiva do grão que vão impactar de forma decisiva no mercado interno e na exportação.  A sondagem será realizada em pleno desenvolvimento das lavouras de 2ª safra do cereal. Em volume de produção, a safrinha, como é conhecida já supera, inclusive, a safra principal, de verão. Na temporada atual, segundo dados da Expedição Safra Gazeta do Povo, o Brasil vai colher 73,6 milhões toneladas. Mais da metade de desse total, ou 37,3 milhões toneladas, serão na segunda safra.

Um dos grandes desafios do Brasil, tema que também vai pautar as discussões do Milho Brasil, é manter o desempenho nas exportações de milho. Em 2012, o Brasil exportou cerca de 20 milhões de toneladas do grão, mais do que o dobro do que foi embarcado em 2011. O status de segundo maior exportador de milho do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, foi conquistado devido à quebra da safra argentina.  Os problemas climáticos enfrentados pelos americanos na temporada passada também contribuíram para consolidação do Brasil no mercado internacional.

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Para Otávio Celidonio, superintendente do Imea – Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária, um dos parceiros do projeto, “é importante discutir a cadeia produtiva neste momento porque faz tempo que a produção do milho inverno deixou de ser safrinha, hoje não produzimos apenas para o Brasil, mas para o mundo todo”. Além disso, acrescenta, “esse cereal é uma cultura fundamental para a sustentabilidade do produtor, que tem uma boa liquidez, por isso, é preciso buscar informações para aperfeiçoar o cultivo”.

De acordo com Otávio, a expectativa é de que daqui uns 10 anos o milho seja produzido em maior escala do que a soja no Brasil, mas isso depende da discussão da cultura nos dias de hoje. O Brasil, segundo o dirigente do Imea, tem um enorme potencial a ser explorado, existe uma vasta área onde o milho pode ser cultivado, existem tecnologias que aumentam ainda mais esse potencial, como é o caso dos grãos desenvolvidos para o clima brasileiro. “Por esses motivos temos que debater como desenvolver o mercado interno e externo para toda essa produção que está sendo esperada nos próximos anos.”

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A consultoria INTL FCStone, outra parceira do projeto Milho Brasil, explica que dada a atual situação de aperto nos estoques de grãos, o mundo se volta agora para a safra da América do Sul. “Nesse cenário, a 2ª safra brasileira de milho ganha ainda mais relevância e tem a possibilidade de colocar o Brasil no grupo dos grandes exportadores mundiais de milho”, avalia Thadeu Silva, coordenador de análise de mercado da FCStone. Ao considerar os desafios e oportunidades, ele classifica como de “suma importância acompanharmos de perto o desenvolvimento desta safra, recorde, que vai influenciar de maneira determinante os preços internacionais”.

Roteiro – Com uma equipe formada por agrônomos, analistas de mercado e jornalistas nas próximas duas semanas a Expedição Milho Brasil vai percorrer os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo para ouvir representantes de todos os elos da cadeia produtiva, dentro e fora da porteira, no público e no privado. Giovani Ferreira, do Agronegócio Gazeta do Povo, destaca a relevância da iniciativa no sentido da mobilização em torno de uma cadeia produtiva que cresce no Brasil, mas que ainda enfrenta sérios problemas, que vão da logística à liquidez do produto. “Há 10 anos a produção era para abastecer o mercado interno. Hoje, com excedente superior a 20 milhões de toneladas, está na exportação o diferencial que vai ou dar competitividade e sustentabilidade à cadeia produtiva do cereal”, diz Ferreira.

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