Nas diversas filas a que somos submetidos no dia a dia, em sua maioria somos partícipes momentâneos de conversas que nos deixam por horas a refletir sobre o assunto tratado. Em especial nesta semana em uma dessas filas, ouvi uma conversa que me induziu a certa reflexão.

Dois jovens discutiam que já tem três anos de formados e que ainda não conseguiram emprego, que o trabalho está difícil para todo mundo. Essas duas palavras insistiram em se manter presentes em meus pensamentos por horas: “emprego” e “trabalho”.

Estamos às vésperas do Dia do Trabalho e consequentemente se comemora o dia do trabalhador. Pois bem, acredito que, de certa forma, não pode ser um dia destinado a somente aquele que está empregado, uma vez que há diversas formas de trabalho sendo feito em diversos pontos do mundo. Atualmente, temos visto pela televisão, internet, jornais e rádio, apelos de várias entidades em busca de voluntários para serem solidários a diversos projetos em benefícios da sociedade.

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Entende-se que esse seja um trabalho que ainda que não renda uma remuneração financeira que dá ao colaborador grandes ganhos, porém propiciam a eles experiência, convívio em comunidades e o desenvolvimento da habilidade de trabalhar em equipes e principalmente a satisfação pessoal ao ver o rosto feliz das pessoas beneficiadas pela ação.

No entanto, o que pude perceber foi que esses jovens, embora formados, tenham buscado no mercado um emprego, um lugar onde possam dizer que estão vinculados a uma hierarquia, sem se preocupar que enquanto não conseguem ter os seus desejos realizados, podem prestar serviços a diversas entidades que trabalham em benefício de pessoas menos favorecidas.

Outrossim, uma dessas atitudes pode colocar profissionais em contato com um possível empregador, que opta por destinar hora do seu tempo livre em trabalhos que vão muito além de cifras guardadas na carteira ou em bancos.

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Observa-se que em trabalhos voluntários há diversas pessoas anônimas que buscam a companhia de outras ou de atividades que os tirem das rotinas a que são submetidas diariamente, isso como um hobby ou até mesmo pelo simples prazer de exercer o seu conhecimento em favor de outrem.

Normalmente, nesses grupos de pessoas solidárias se encontram grandes profissionais que aparentemente não teriam tempo para perder e, no entanto, fazem questão de participar de atividades que lhes propiciem momentos diferentes e enaltecedores na companhia de amigos que fazem a diferença no seu dia a dia.

Dessa forma, entendo oportuno o questionamento “Trabalho ou Emprego? O que é que se procura?” Trabalhar é uma questão de opção e não de colocação do mercado de trabalho. E como se sabe o mercado de trabalho tem preferido selecionar pessoas que desde a sua formação já busquem estar envolvidos em questões sociais, tais como voluntários, monitores em projetos de iniciação científica, entre outros. Pois estes são profissionais com uma formação intelectual, ética e social que farão a diferença quando estiverem inseridos em uma empresa.

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Luzia Felix da Silva

Coordenadora e professora do curso de Ciências Contábeis

Professora do curso de Administração e da Pós-graduação do Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande.

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