O profissional da educação deverá lançar mão de toda atenção possível ao seu aluno. O que ocorre no processo de mediação de conhecimentos tem relação com o todo do ser subjetivo e inconsciente desse que deseja aprender. Ou seja; todos os fatores biopsicossociais de amor e ódio estão em jogo neste momento. Bem como fatores religiosos e políticos.

É notório que hoje mais do que nunca, a instituição escolar intermedia de maneira mais direta as relações de ordem familiar e institucional em prol de uma melhoria na educação, portanto os profissionais da educação deverão estar sempre alertas, ao que diz respeito a sistema de valores, que prevalece na vida do aprendiz. O educador tem uma função importante na educação e posição social destes, podendo até influenciar  o educando, no sentido da existência e escolha de seu  campo profissional futuramente.

Em se tratando de educação é natural que encontremos conflitos e dissociações, pertinentes aos jovens. Estas atitudes se tornam importantes na visão de um educador, uma vez que estas são oriundas de um contexto de valores sociais mais amplos. Portanto se a educação for visualizada em todos seus aspectos, será um caminho para a realização de tarefas ocupacionais no futuro. Ou seja, o adulto útil é aquele que de alguma forma compreendeu a situação de uma escolha ocupacional e sua importância. Seja esta compreensão, vinda pela via institucional escolar ou pela própria pedagogia familiar.

Se faz necessário quanto educadores, que olhemos para o que o futuro destes educandos implica, é de grande importância para nós mediadores do conhecimento, vermos o que se passa por trás dos conflitos e dissociações destes.

É confuso para o aluno ainda jovem definir um comportamento a meios tantos conflitos, entender a importância real de um bom aprendizado para o seu futuro profissional, quando ainda mal entende o que se passa dentro dele e todas as transformações corporais, hormonais. É difícil ter que ser adulto quando ainda mal saímos da adolescência! Por todos esses fatores é muito comum encontramos jovem estudantes, que apresentam determinado tipo de comportamentos hostis, nos quais eles próprios acreditam que o estão fazendo por auto defesa. Quando na verdade eles estão travando uma luta interna pelo simples fato de poder destituir o poder do outro. Quase que instintual, algo como a lei dos animais, quando, permanece no poder o mais forte.

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Cabe aos educadores, entender parte da realidade do aluno que vem camuflada em comportamentos assumidos e posto em cena. Ou seja, o vínculo que o educando faz com o educador, deve ser visto e entendido como sentimentos manifestos provenientes do inconsciente, podendo tratar-se de algo recalcado ou não. Estes vínculos sejam eles manifestos ou não, podem vir a produzir um comportamento de oposição, contradição, dissociação, etc. lembrando sempre que o manifestar ou não desses sentimentos, na maior parte das vezes são gerados por fantasias por parte do aluno em relação ao educador.

Quando me refiro à educação, visualizo – a como um todo. A educação deve ser vista e entendida por vários ângulos, entre eles devemos levar em conta, que o educando passa por grandes mudanças, que são contínuas e amplas. É imprescindível perceber que uma ideologia utópica ou não, existe e é a somatória para a formação de uma identidade. As boas elaborações dessas ideologias, irão contribuir para uma boa estruturação da identidade do sujeito quanto ser no mundo. O jovem aprendiz costuma apresentar de forma notória, dúvidas e indecisões quando lhe é cabido decidir. O educador deve se ater as crises de cada fase, e aqui quando me refiro ao educador, estou me referindo a todos que compartilham da formação do educando, desde o professor à família. São nas crises que os educandos irão mostrar seu período de transição, adaptando-se e acomodando-se. Este deve ser um olhar preciso que vai pra além do vínculo, envolve também intuição e compreensão dos comportamentos manifestos. É um educar com novo olhar, um meio de colaborar para a descoberta do eu, do ser no mundo.

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Atualmente já conseguimos entender que a educação não é só responsabilidade de uma instituição escolar como se pensava no século XIX, a qual tinha o papel de definir a identidade dos educandos, privilegiando o objeto do conhecimento e não o homem. Trabalhavam como modelos pré-definidos, a visão de mundo era tida como algo pronto, que apenas traduzia-se pelo conhecimento sistematizado e acumulado ao longo dos anos. Era uma educação externa ao homem, ao ser no mundo, era constituída de verdade universal. Um educando era considerado uma tabula rasa, no qual podia ser impressas informações e conteúdos universalmente consagrados. O educando neste período atuava como receptor das verdades universais. Atualmente as escolas possuem um novo perfil, muita coisa mudou, evoluiu. As instituições escolares, não possuem mais o perfil de formadora de ideias, e junto com a família mediam dentro do possível troca de informações que resultarão em uma futura identidade, esta agora não mais impressa, não mais formadora e sim construída, uma vez que entende-se por construção de identidade, aquela que é estruturada pela via da interação de fatores internos e externos a cada um. Este entendimento que deu início a mudança do perfil da instituição escolar, ocorreu já no final do século XIX, com a entrada da chamada pedagogia nova, esta surge para contrapor-se a pedagogia anterior, a chamada tradicional citada mais acima como moldadora de tabulas rasas. A instituição escolar passa a ser detenta de procedimentos democráticos, deixam de lado a ideia de sujeitos iguais, aplicam novas práticas de aprendizagem como auto atividade, a individualidade era um fator valorizado. A base da aprendizagem para a pedagogia nova, é que o educador deveria entender que o educando tem a mente como instrumento de adaptação progressiva ao meio. Neste momento a pedagogia fala a mesma linguagem da psicologia, quando iniciamos este artigo. Falamos da capacidade de formação de vínculo educador para a captação do comportamento manifesto do educando, e podemos ver que a muito a pedagogia e a psicologia vem concordando, com a necessidade de o educador entender o que está por trás de um comportamento manifesto.

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É na união das necessidades fisiológicas com as necessidades intelectuais, que podemos presenciar a realidade de cada um como algo subjetivo e singular. Podendo então entendermos que o homem e sua identidade bem como seu comportamento se constrói. Devemos quanto educadores considerar que o educando é dotado de poderes individuais, ele tem liberdade, iniciativa, autonomia, interesses, valores e crenças, estes são fatores influentes na formação de um perfil.

Quero finalizar esse artigo com uma crítica de Freire ao falso dilema entre o Humanismo e a Técnica.

“….quem afirma uma educação que se oponha a capacitação técnica dos indivíduos é tão ineficiente como a que reduz à competência sem uma formação geral humanista…..”Paulo Freire.

Renata Meira Coelho

Professora da Universidade de Cuiabá

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