De vez enquanto, sou abordado por acadêmicos que interessados em passar para o papel algumas ideias, ao perceberem não possuir uma metodologia para a produção de textos, desistem após poucas tentativas. Costumo alertar que a fácil desistência na busca de objetivos se traduz no maior erro para quem se propõe e criar.

O processo criativo exige uma forte determinação na consecução das propostas de tal forma que não havendo caminhos preestabelecidos, o passo inicial será criá-lo para poder prosseguir. Esse esforço pessoal nos livrará das pressões de homogeneização dos indivíduos, tão comuns nos nossos dias.

A definição dos mecanismos a serem adotados, que se traduz pelo estabelecimento de um plano estratégico, somente será eficaz à medida que se construam diversos cenários que devidamente avaliados, produza os mais apropriados para o trabalho desejado. Uma intensa leitura sobre o tema precede o instante de partida da proposta. Considerando que as informações colhidas de outras fontes produzirão a base informacional para uma nova visão, criar caracteriza-se por estrutura-se de forma inédita um conjunto de conhecimentos já disponíveis, possibilitando uma reflexão segundo outro ponto de vista.

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Tenho observado que ao praticar uma leitura exaustiva sobre um determinado assunto ao final de algum tempo, a carga de informações leva-me a identificar uma grande mistura onde os primeiros arranjos não permitem constatar estruturas logicamente organizadas.

Resta-me aguardar, reduzindo o nível de ansiedade na busca da solução, sem me despreocupar com a conclusão do trabalho. Essa espera assemelha-se a digestão de uma saborosa refeição, cujos resultados energizarão outros processos.

Tal acontece. Em um dado momento, sem preferência de local e hora, tenho a percepção de um modelo que, inicialmente, parece-me eliminar todas as preocupações. Transponho-o para o papel com o cuidado de preservar todos seus detalhes, sem qualquer consideração critica imediata. Garantida a proposta de referência, passo a trabalhar no seu aprimoramento buscando obter coerência e consistência. Ao final, constato o nascimento de uma abordagem original.

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Diante do novo, o temor da aceitação á medida que ao propor o diferente provocamos uma natural reação no leitor. Entretanto, se não investirmos nos elementos que a nosso juízo impulsionam as mudanças, estaremos nos escondendo na multidão, preservando a mesmice. Quando pensando a tomada de decisão no exercício da função gerencial, o modelo é bem semelhante. A partir de um desenvolvimento contínuo, o gerente fortalece suas ferramentas de interpretação da realidade, obtendo uma leitura mais cientifica do seu espaço de trabalho que uma vez maturada permitirá soluções criativas.

Apesar do exposto, tenho dificuldade em responder aos acadêmicos sobre critérios de produção de textos, uma vez que não concordo com a uniformidade como caminho para a criação, há que se entender e respeitar as individualidades.

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Reinaldo do Carmo de Souza

Professor da Universidade de Cuiabá – UNIC pelo Programa de Expansão Universitário – PEU.

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